Irã condiciona paz com os EUA à liberação de US$ 24 bilhões em ativos congelados
Teerã exige o desbloqueio de ativos financeiros como prova de boa-fé para avançar em acordo com o governo de Donald Trump.

Governo iraniano condiciona acordo de paz com a gestão de Donald Trump à devolução de US$ 24 bilhões em ativos bloqueados, propondo liberação em duas etapas.
O cenário geopolítico entre o Irã e os Estados Unidos atingiu um novo ponto de tensão e expectativa com a recente declaração de Mohsen Rezaei, conselheiro militar do líder supremo iraniano. Em entrevista concedida à emissora CNN nesta sexta-feira (5), Rezaei condicionou o avanço de um possível acordo de paz entre as duas nações à liberação de ativos financeiros que totalizam US$ 24 bilhões. O montante está atualmente congelado por sanções impostas pelo governo norte-americano, e a devolução desses recursos é vista por Teerã como um "teste de confiança" indispensável para a continuidade das tratativas diplomáticas na administração de Donald Trump.
A exigência iraniana é estruturada em duas etapas fundamentais, visando garantir liquidez imediata e garantias futuras. De acordo com os detalhes revelados, o Irã solicita o desbloqueio imediato de US$ 12 bilhões no exato momento em que um acordo provisório for assinado. Os demais US$ 12 bilhões seriam liberados em uma fase posterior, consolidando o que o governo iraniano descreve como um passo necessário para romper o atual impasse nas comunicações bilaterais. Para Rezaei, o ônus da decisão recai agora sobre a Casa Branca, afirmando que o presidente Donald Trump detém o poder de destravar as negociações por meio desse gesto econômico.
No entanto, a proposta encontra forte resistência interna dentro do governo dos Estados Unidos. Autoridades da administração Trump manifestaram preocupação de que a liberação de fundos tão volumosos neste estágio possa comprometer a estratégia de "pressão máxima" exercida contra o regime iraniano. O temor dos assessores americanos é de que, ao entregar os ativos agora, os EUA percam sua principal ferramenta de barganha, permitindo que Teerã recupere fôlego financeiro sem necessariamente cumprir todas as exigências ocidentais relacionadas ao programa nuclear e à influência regional.
O contexto econômico global adiciona uma camada extra de urgência a esse embate. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) emitiu alertas recentes sobre as consequências sistêmicas de uma escalada de hostilidades no Oriente Médio. Segundo a organização, a manutenção do conflito ou um eventual agravamento das tensões com o Irã possui o potencial de desestabilizar os mercados internacionais, elevando o custo de insumos básicos e afetando cadeias de suprimentos globais. A questão energética também está no centro do debate, com o monitoramento de navios iranianos que desafiam bloqueios para transportar milhões de barris de petróleo.
Diante deste cenário, os próximos passos diplomáticos são incertos e dependem de uma delicada calibração de interesses. Enquanto o Irã busca o alívio financeiro para mitigar crises internas, Washington avalia se o risco de fortalecer o regime adversário vale a possibilidade de uma estabilização duradoura na região. O impasse sobre os US$ 24 bilhões simboliza a profunda desconfiança mútua que impera na relação entre Washington e Teerã, transformando ativos financeiros em moedas de troca fundamentais para o destino da paz mundial nos próximos anos.






