Inovação pedagógica: Sistema Solar ganha versão comestível em sala de aula

Alunos do 9º ano da Escola Ana Neri Malheiro criam maquete comestível do Sistema Solar em aula da professora Lidiane Cursino. A iniciativa focou em sustentabilidade, inclusão de alunos com deficiência e aprendizado sensorial.
No cenário educacional contemporâneo, a busca por metodologias que unam teoria e prática de forma sustentável tem ganhado destaque. No último dia 19 de março, a Escola Ana Neri Malheiro tornou-se palco de uma dessas iniciativas inovadoras. Sob a orientação da professora Lidiane Roberto Cursino dos Santos, os alunos do 9º ano participaram de uma aula de ciências diferenciada, na qual o Sistema Solar deixou de ser apenas um conceito em livros didáticos para se transformar em uma experiência sensorial e gastronômica. A proposta consistiu na criação de uma maquete comestível, onde alimentos variados foram utilizados para representar o Sol, os planetas e demais corpos celestes.
O projeto foi estruturado com um forte viés ambiental e pedagógico. Ao optar por materiais comestíveis em vez de isopor, plásticos ou tintas sintéticas, a professora Lidiane buscou eliminar a produção de resíduos sólidos comuns em trabalhos escolares de feiras de ciências. Essa abordagem de "lixo zero" não apenas ensina astronomia, mas também educa para a conscientização ecológica, mostrando que a construção do conhecimento não precisa gerar impactos negativos ao meio ambiente. A escolha de frutas, doces e outros insumos alimentares permitiu que as escalas e características dos planetas fossem discutidas de maneira lúdica e visualmente atraente.
Um dos pontos mais celebrados da atividade foi o seu elevado grau de inclusão social e pedagógica. A metodologia permitiu a participação plena de alunos com deficiência, garantindo que o aprendizado fosse acessível por meio do tato, do olfato e do paladar. Um exemplo do sucesso da iniciativa foi o entusiasmo demonstrado pelo estudante Jearllyson David Cavalcante da Silva, do 9º ano F, que se envolveu ativamente na montagem e na degustação do projeto. Para alunos com necessidades específicas, a concretização de conceitos abstratos — como as distâncias orbitais e os volumes planetários — através de elementos táteis e comestíveis facilita a absorção do conteúdo e a fixação da memória afetiva sobre o tema.
Os profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE) da instituição elogiaram publicamente a condução do projeto. Segundo os especialistas, práticas que envolvem múltiplos sentidos são essenciais para alcançar todos os estudantes, respeitando os diferentes ritmos e formas de aprendizagem. Ao transformar a sala de aula em um espaço de experimentação viva, a escola reforça o papel do professor como um mediador que utiliza a sensibilidade para derrubar barreiras educacionais. A interação entre os alunos durante a montagem da maquete promoveu, além do saber científico, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como o trabalho em equipe e a empatia.
A repercussão da atividade mobilizou toda a comunidade escolar, desde o corpo docente até a direção, que manifestou congratulações oficiais à professora Lidiane Roberto Cursino dos Santos. A iniciativa é vista como um modelo a ser seguido para futuras intervenções pedagógicas, provando que a inovação não exige necessariamente tecnologias de alto custo, mas sim criatividade e um olhar atento às necessidades dos alunos. No horizonte da Escola Ana Neri Malheiro, o sucesso desta "aula saborosa" abre caminho para novos projetos interdisciplinares que conectem ciência, nutrição e sustentabilidade de forma cada vez mais profunda.






