Saúde

Hantavírus: OMS suspeita de rara transmissão entre humanos em navio

A OMS investiga um surto de hantavírus em um navio de cruzeiro e não descarta a rara possibilidade de transmissão entre humanos. A doença, transmitida por roedo

Redação 360 Notícia
Por
Redação 360 Notícia
6 de maio de 2026 às 16:122 min
Hantavírus: OMS suspeita de rara transmissão entre humanos em navio
Foto: Reprodução
Compartilhar

A OMS investiga um surto de hantavírus em um navio de cruzeiro e não descarta a rara possibilidade de transmissão entre humanos. A doença, transmitida por roedores, possui alta letalidade e o caso gera alerta sobre protocolos sanitários em ambientes confinados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta epidemiológico nesta terça-feira (5) a respeito de um surto de hantavírus detectado em um navio de cruzeiro que navegava por águas internacionais. O ponto central do comunicado é a admissão, por parte da entidade, de que não se pode descartar a hipótese de transmissão interpessoal do vírus, um fenômeno considerado extremamente raro pela comunidade científica global, mas que já foi documentado em situações isoladas anteriormente.

Tradicionalmente, a hantavirose é uma doença zoonótica transmitida aos seres humanos por meio da inalação de aerossóis contendo excreções (urina, fezes ou saliva) de roedores silvestres infectados. Em ambientes fechados e com ventilação compartilhada, como é o caso de embarcações de grande porte, o risco de contaminação ambiental costuma ser a principal linha de investigação. No entanto, a dinâmica da disseminação observada entre os passageiros e tripulantes deste navio específico levantou suspeitas sobre uma possível evolução no modo de transmissão, exigindo cautela das autoridades sanitárias.

O quadro clínico da hantavirose é grave, iniciando-se frequentemente com sintomas inespecíficos como febre alta, dores musculares, calafrios e cefaleia, podendo evoluir rapidamente para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) ou febre hemorrágica com síndrome renal. A taxa de letalidade da doença é considerada alta, variando de 30% a 50%, dependendo da cepa do vírus e da rapidez do suporte médico. No contexto do confinamento em um navio, o isolamento dos casos suspeitos torna-se uma medida crítica para evitar que um surto localizado se transforme em uma crise sanitária de proporções maiores.

Historicamente, a transmissão entre humanos foi registrada quase exclusivamente com a cepa do vírus Andes, em surtos na Argentina e no Chile. A OMS agora trabalha em conjunto com laboratórios de referência e autoridades portuárias para realizar o sequenciamento genético do vírus identificado nos pacientes do cruzeiro. Esse processo é essencial para determinar se houve alguma mutação ou se as circunstâncias ambientais da embarcação favoreceram um contato direto que normalmente não ocorreria em ambientes abertos.

Os próximos passos envolvem o rastreamento rigoroso de todos os indivíduos que estiveram a bordo, bem como a implementação de protocolos de quarentena e desinfecção profunda do navio. A OMS recomendou que os países onde o navio aportou ou aportará reforcem a vigilância epidemiológica e orientem os profissionais de saúde sobre os protocolos de manejo clínico. A investigação continua focada em identificar o paciente zero e compreender como o vírus foi introduzido em um ambiente teoricamente isolado do habitat natural dos roedores transmissores.

#Saúde

Leia também