Governo da Índia pede que população suspenda compra de ouro por um ano para salvar economia
O país, segundo maior mercado de ouro do mundo, elevou impostos de importação e apelou ao patriotismo dos cidadãos para conter crise cambial.

Para estabilizar a economia diante da alta do petróleo e da queda da rúpia, a Índia elevou tarifas de importação e pediu que população não compre ouro por um ano.
O governo da Índia adotou uma estratégia drástica para conter a desvalorização de sua moeda e equilibrar as contas nacionais: solicitou formalmente que a população suspenda a compra de joias e ouro por 365 dias. Além do apelo direto feito pelo primeiro-ministro Narendra Modi, o país elevou a taxa de importação sobre o metal precioso de 6% para 15%, na tentativa de frear um mercado que movimentou US$ 72 bilhões no último ano fiscal.
A medida é uma resposta direta às tensões geopolíticas envolvendo o Irã, que provocaram uma disparada nos preços do petróleo. Como a Índia importa a maior parte do combustível que consome e paga tanto pelo petróleo quanto pelo ouro em dólares, a alta demanda por divisas estrangeiras tem enfraquecido a rúpia e alimentado a inflação. O ouro, embora não seja um item de produção industrial, representa cerca de 9% das importações totais indianas e possui um valor cultural imenso, sendo o bem preferido para heranças e casamentos.
Especialistas e o setor joalheiro reagiram com preocupação. Enquanto alguns analistas acreditam que a redução na demanda indiana — o segundo maior mercado do mundo — pode baixar os preços globais do metal, profissionais do setor temem pela sobrevivência de suas empresas. O governo também sugeriu outras medidas de austeridade para economizar energia, como o uso de transporte público e trabalho remoto. Críticos da oposição, no entanto, argumentam que o governo está repassando à população o peso da crise econômica.






