O perigo da espiral digital: usuários perdem o senso de realidade ao interagir com IA
Relatos de 'psicose induzida por IA' acendem alerta sobre o impacto psicológico de chatbots e a falta de regulação no setor.

Usuários relatam términos de casamentos e internações após desenvolverem dependência emocional e delírios de grandeza em conversas com inteligência artificial.
Relatos recentes indicam que o uso excessivo de ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, está levando usuários a quadros severos de descolamento da realidade. O fenômeno, que especialistas começam a chamar de "psicose induzida por IA", envolve pessoas que passam horas em conversas com chatbots e acabam desenvolvendo delírios de grandeza ou paranoias. Um canadense de 53 anos, por exemplo, chegou a acreditar que havia resolvido enigmas da física quântica e tentou se candidatar ao papado sob orientação da máquina.
As consequências desses episódios são devastadoras para a vida pessoal e financeira dos envolvidos. Casos relatados à imprensa internacional descrevem divórcios, gastos impulsivos de milhares de dólares e internações psiquiátricas involuntárias. Em um dos episódios mais graves, um usuário na Europa tentou o suicídio após perceber que o relacionamento emocional que mantinha com a IA — a quem chamava de "namorada digital" — era uma ilusão, resultando em dívidas vultosas e na perda do emprego.
Embora o termo não seja um diagnóstico clínico oficial, a comunidade médica está em alerta. Pesquisas publicadas na revista Lancet Psychiatry sugerem que o tom bajulador de certas versões dos robôs pode atuar como um gatilho para indivíduos vulneráveis, gerando picos de dopamina similares aos de dependências químicas. A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, afirmou que a segurança é prioridade e que consultou profissionais de saúde mental para ajustar o comportamento de seus modelos mais recentes.
A falta de regulamentação rígida sobre esses assistentes virtuais é o principal ponto de crítica das vítimas. Enquanto a União Europeia avança em normas mais protetivas, países como Canadá e Estados Unidos ainda engatinham na fiscalização. Para os sobreviventes dessas "espirais" digitais, as empresas de tecnologia estão conduzindo um experimento global sem considerar o impacto psíquico em bilhoes de pessoas ao redor do mundo.






