Economia

Golpe de Luxo: Ferrari SF90 de R$ 4 milhões é trocada por relógio falso e cheques sem fundo

Empresário de Santa Catarina entrega superesportivo de R$ 4 milhões em negociação fraudulenta envolvendo itens falsos e cheques sem lastro.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 04:003 min
Golpe de Luxo: Ferrari SF90 de R$ 4 milhões é trocada por relógio falso e cheques sem fundo
Foto: Reprodução
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Um empresário catarinense perdeu uma Ferrari SF90 Stradale Assetto Fiorano, avaliada em R$ 4 milhões, após cair em um golpe envolvendo um relógio falso e cheques sem fundos. O modelo é o primeiro híbrido plug-in da marca e traz tecnologias das pistas de Fórmula 1.

O mercado de veículos de luxo no Brasil foi abalado recentemente por um episódio que mistura engenharia de ponta com um crime comum, mas de proporções financeiras astronômicas. Um empresário residente em Santa Catarina foi vítima de um golpe sofisticado ao tentar vender sua Ferrari SF90 Stradale, na prestigiada versão Assetto Fiorano. O veículo, avaliado em aproximadamente R$ 4 milhões, foi entregue em uma negociação que envolvia um relógio de luxo falsificado e três cheques que, ao serem compensados, apresentaram falta de fundos. O caso serve como um alerta para a vulnerabilidade até mesmo em transações de altíssimo valor, onde a sofisticação do produto não impediu a ação de estelionatários.

A Ferrari SF90 Stradale não é apenas um automóvel; ela representa um marco histórico para a fabricante de Maranello. Lançada em 2019, o nome do modelo é uma homenagem direta aos 90 anos da Scuderia Ferrari e compartilha a nomenclatura com o monoposto de Fórmula 1 utilizado por Charles Leclerc e Sebastian Vettel naquela mesma temporada. Este veículo foi o pioneiro na linhagem da marca italiana ao adotar o sistema híbrido plug-in (PHEV), unindo a tradição do motor a combustão com a eficiência e o torque instantâneo da motorização elétrica. No Brasil, possuir um exemplar desses é um símbolo de exclusividade extrema, dada a complexidade técnica e o valor de mercado que o modelo ostenta.

A engenharia por trás da SF90 é profundamente inspirada nas tecnologias desenvolvidas para as pistas. O sistema híbrido utiliza três motores elétricos: dois posicionados no eixo dianteiro e um terceiro instalado entre o motor a combustão e o câmbio, na parte traseira. Esse conjunto trabalha em harmonia com um motor V8 biturbo, garantindo uma performance que desafia as leis da física. O processo de recuperação de energia, conhecido como MGU-K, é uma transposição direta do que se vê nos bólidos da Fórmula 1 desde 2014. No caso do modelo envolvido no golpe, o diferencial "Assetto Fiorano" eleva o patamar para um veículo focado em pistas, com amortecedores derivados de competições de Gran Turismo e um uso extensivo de materiais nobres como titânio e fibra de carbono, visando a redução de peso e o aumento da rigidez estrutural.

Além da perda do patrimônio em si, o episódio levanta discussões sobre os custos operacionais de manter uma joia automotiva desse calibre no território nacional. A Ferrari SF90 figura constantemente nas listas dos IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) mais caros do país. No Rio de Janeiro e no Paraná, versões similares do modelo, como a Spider (conversível), chegam a gerar boletos de imposto anual que superam os R$ 300 mil, valor suficiente para adquirir um SUV de luxo zero-quilômetro. O modelo furtado, por ser uma versão Assetto Fiorano, é ainda mais raro, sendo produzido sob encomenda e apresentando detalhes aerodinâmicos exclusivos, como um spoiler traseiro maior em fibra de carbono e pneus otimizados para alto desempenho.

As investigações sobre o golpe no empresário catarinense seguem em curso, enquanto o mercado de usados de luxo reforça seus protocolos de segurança. A audácia dos golpistas ao oferecerem um relógio de grife falso e títulos sem lastro financeiro demonstra que a valorização desses ativos atrai criminosos especializados. Para o setor automotivo, o caso reforça o caráter lendário da SF90, que continua sendo um objeto de desejo global. O desfecho desta história dependerá da localização do veículo, que, dada a sua exclusividade e características únicas — como a pintura em dois tons e o acabamento em titânio —, torna-se um item difícil de ser ocultado ou comercializado sem levantar suspeitas imediatas de autoridades e colecionadores.

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