Gestante egípcia e filhos são liberados em Guarulhos, mas pai continua retido
Mãe e crianças foram liberadas por razões humanitárias após quase 30 dias em área restrita; pai segue barrado.

Após quase um mês retidos no Aeroporto de Guarulhos, uma egípcia grávida e seus dois filhos foram autorizados a entrar no Brasil. O pai da família, no entanto, segue impedido de ingressar no país.
Uma mulher egípcia em estágio avançado de gravidez e seus dois filhos receberam permissão para ingressar em território brasileiro na última quarta-feira (7). O grupo estava confinado na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, desde o dia 8 de abril. A família buscou refúgio no Brasil fugindo da instabilidade política no Oriente Médio, mas o acesso foi inicialmente negado pelas autoridades migratórias, gerando um impasse que durou quase 30 dias.
Apesar da liberação da gestante e das crianças, o pai, Abdallah Montaser, permanece impedido de entrar no país. Segundo o advogado da família, Willian Fernandes, a decisão da Polícia Federal representa um progresso diante do quadro de saúde da mãe e das necessidades especiais dos filhos — um deles portador de doença celíaca. No entanto, a defesa ressalta que a assistência está incompleta enquanto a unidade familiar não for restabelecida, prometendo manter as medidas jurídicas para garantir a entrada de Montaser.
O caso provocou forte reação de organizações de direitos humanos e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, que denunciaram as condições precárias da retenção prolongada. Entidades como o Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC) criticaram a aplicação de normas administrativas que priorizam a segurança em detrimento da dignidade humana. A saída da mulher e das crianças da zona restrita foi acompanhada por grupos de apoio que agora oferecem acolhimento aos imigrantes.
As autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Justiça e a Polícia Federal, mantêm o posicionamento de não detalhar casos individuais devido ao sigilo legal. Contudo, especialistas e entidades civis alertam que o episódio em Guarulhos não é isolado, citando ocorrências recentes de outros estrangeiros, como palestinos e ganeses, que enfrentaram obstáculos semelhantes ao tentar solicitar proteção humanitária no Brasil.






