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Fintechs da Faria Lima movimentaram R$ 26 bilhões para o crime organizado

Operação Fluxo Oculto mira esquema bilionário de lavagem de dinheiro via 'contas bolsão' e adulteração de combustíveis vinculada ao PCC.

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Redação 360 Notícia
28 de maio de 2026 às 10:003 min
Fintechs da Faria Lima movimentaram R$ 26 bilhões para o crime organizado
Foto: Reprodução
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Nova fase da Operação Carbono Oculto revela que instituições de pagamento na Faria Lima operavam 'contas bolsão' para camuflar bilhões de reais do PCC. Esquema envolvia adulteração de combustíveis e movimentações atípicas de R$ 26 bilhões mesmo após intervenções policiais.

A Avenida Brigadeiro Faria Lima, expoente máximo do mercado financeiro brasileiro em São Paulo, tornou-se novamente o epicentro de uma investigação profunda sobre a lavagem de capitais. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quinta-feira (28) a Operação Fluxo Oculto. A ação é um desdobramento direto da Operação Carbono Oculto e revela que, apesar das investidas policiais ocorridas anteriormente, diversas fintechs e instituições de pagamento sediadas no coração financeiro da capital paulista continuaram a operar como braços financeiros para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com os investigadores, o esquema funcionava com uma sofisticação tecnológica que desafia os mecanismos tradicionais de fiscalização do Banco Central e do Coaf. Utilizando-se de métodos conhecidos como "contas bolsão" e "contas gráficas", as empresas de tecnologia financeira conseguiam criar um "ponto cego" regulatório. Na prática, recursos provenientes de dezenas de postos de combustíveis eram misturados em uma única conta bancária registrada em nome da própria fintech em bancos comerciais tradicionais. Internamente, o controle de quem era o dono de cada centavo ficava restrito ao sistema da fintech, impedindo que autoridades externas rastreassem a origem ilícita dos valores e o destino final dos lucros da organização criminosa.

Os números apresentados pelo Ministério Público são alarmantes e demonstram a escala bilionária da infração. Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações atípicas que somam cerca de R$ 26 bilhões. O foco da organização criminosa é o setor de combustíveis, mais especificamente a chamada "máfia do nafta". O grupo importava solventes petroquímicos com tributação reduzida, simulava a venda para empresas de fachada e, na realidade, desviava o produto para ser misturado à gasolina e vendido em postos controlados pela facção. Estima-se que mais de 135 milhões de litros de combustível foram adulterados em apenas dois anos, gerando um prejuízo tributário superior a R$ 200 milhões.

A investigação também detalha como o grupo se reestruturou rapidamente após a primeira fase da operação. Sob a liderança de Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco" — ambos foragidos da justiça —, a rede migrou seus ativos para novas empresas de fachada e trocou de plataformas de pagamento assim que os sistemas anteriores eram detectados. A Operação Fluxo Oculto cumpriu 55 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais, mirando não apenas os líderes, mas também gestores contábeis, operadores logísticos e "laranjas" que cediam seus nomes para a abertura de empresas fantasmas.

Para o leitor brasileiro, o caso expõe a vulnerabilidade do novo sistema financeiro digital diante do crime organizado. Embora as fintechs tenham democratizado o acesso ao crédito e serviços bancários, a falta de uma fiscalização robusta sobre as "contas bolsão" permite a blindagem patrimonial de facções. Além disso, a infiltração no setor de combustíveis afeta diretamente o consumidor final, que paga por um produto adulterado enquanto financia, indiretamente, o poderio bélico e econômico do tráfico. O próximo passo das autoridades é o bloqueio de ativos em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que também eram usados para dar aparência de legalidade às transações fraudulentas da máfia.

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