Família defende jovem condenado por matar pai abusivo no Uruguai
Justiça uruguaia condenou Moisés Martínez, enquanto irmãs e mãe apontam falha do Estado em protegê-las de décadas de violência doméstica.

A condenação de Moisés Martínez a 12 anos de prisão por matar o pai abusivo gera revolta no Uruguai. Familiares lutam pela liberdade do jovem, alegando que o crime foi uma resposta a décadas de violência física e sexual.
Um caso de homicídio nos arredores de Montevidéu, no Uruguai, gerou um intenso debate nacional sobre os limites da legítima defesa e o impacto de traumas familiares. Moisés Martínez, de 28 anos, foi condenado a 12 anos de reclusão após assassinar o próprio pai, Carlos Martínez, com 14 disparos. O crime ocorreu em maio de 2025, logo após o jovem descobrir o histórico sistemático de violência física e abusos sexuais cometidos pelo pai contra sua mãe e suas duas irmãs ao longo de décadas.
Relatos apresentados durante o julgamento revelaram um cenário de terror doméstico, que incluía punições sádicas como banhos de água gelada durante a madrugada e abusos frequentes. Embora o patriarca já tivesse cumprido um ano de prisão por crimes sexuais após uma denúncia escolar feita por uma das filhas na infância, a família afirma que ele continuava a persegui-las e ameaçá-las mesmo após ganhar a liberdade. A defesa de Moisés alegou que o crime foi uma reação ao sofrimento acumulado, mas a Justiça não concedeu o perdão judicial, argumentando a ausência de denúncias recentes formais nos últimos 15 anos.
A sentença provocou indignação popular, levando milhares de uruguaios a acompanharem o caso via internet. As irmãs e a mãe de Moisés lideram agora uma campanha pela sua libertação, alegando que ele agiu para protegê-las de um agressor contumaz que o Estado falhou em conter. O impacto social do veredito foi tão profundo que as familiares chegaram a ser recebidas em audiência privada pelo presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, enquanto buscam recursos jurídicos para reverter a condenação.






