Economia

EUA propõem megatarifa de 25% a produtos brasileiros em novo revés comercial

Proposta de taxa de 25% sobre exportações brasileiras é fundamentada em questões ideológicas e coloca em risco a relação diplomática entre Washington e Brasília.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 12:003 min
EUA propõem megatarifa de 25% a produtos brasileiros em novo revés comercial
Foto: Reprodução
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Relatório do Escritório de Comércio dos EUA propõe taxas de 25% sobre produtos brasileiros, ignorando defesas apresentadas pelo Brasil. A medida, que abrange desde o PIX até questões ambientais, é vista como um retrocesso diplomático com fortes contornos ideológicos e eleitorais.

O cenário das relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos sofreu um duro golpe nesta semana com o anúncio de um relatório do Escritório de Comércio dos EUA (USTR), que propõe a aplicação de tarifas de 25% sobre uma vasta gama de mercadorias brasileiras. A medida, classificada por analistas como um "novo tarifaço", é vista como significativamente mais grave do que as movimentações protecionistas registradas no ano anterior. A justificativa do governo norte-americano para tal agressividade tarifária baseia-se na alegação de práticas comerciais "irrazoáveis" por parte do Brasil, um diagnóstico que ignora os esforços diplomáticos e técnicos realizados pelo governo federal e pelo setor privado nos últimos meses.

Historicamente, as tensões comerciais entre as duas maiores economias das Américas passam por ciclos de aproximação e distanciamento. Contudo, o momento atual é delicado, pois as investigações que culminaram nesta proposta de taxação tiveram início em 2025, em um período de transição e reajuste nas políticas externas. Mesmo com as tentativas de estreitamento de laços entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, a estrutura técnica e ideológica que comanda o USTR parece seguir uma agenda própria. Durante o processo de investigação, ministérios brasileiros e consultorias especializadas apresentaram defesas robustas, dados científicos e argumentos econômicos para rebater as acusações, mas as autoridades de Washington parecem ter ignorado as explicações enviadas por Brasília.

Entre os pontos mais polêmicos da investigação está o sistema de pagamentos instantâneos PIX, desenvolvido pelo Banco Central. Os Estados Unidos acusam o Brasil de práticas desleais por meio da ferramenta, enquanto o lado brasileiro argumenta que o PIX promoveu uma bancarização sem precedentes, o que beneficia, inclusive, as operadoras de cartões de crédito americanas ao ampliar o mercado consumidor formal. Outro pilar da discórdia envolve questões ambientais e de propriedade intelectual. O Brasil apresentou evidências satelitais comprovando a redução drástica no desmatamento e demonstrou a aceleração do processo de registro de patentes no país. No entanto, o USTR parece ter dado mais peso a componentes ideológicos, citando até mesmo decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra empresas de tecnologia e a suspensão temporária da rede social X (ex-Twitter) como evidências de um ambiente desfavorável.

A situação do etanol também permanece como um nó górdio na relação bilateral. Embora tenha sido mencionado publicamente por Trump como um entrave, o Brasil ainda não apresentou uma proposta concreta para resolver a reciprocidade tarifária desse setor, o que deu margem para que o protecionismo americano avançasse sobre outros produtos da pauta de exportação brasileira. Com a confirmação desta postura hostil do Departamento de Estado e do USTR — cujos membros mantêm proximidade com figuras da oposição brasileira, como o senador Flávio Bolsonaro —, fica evidente que a decisão transcende a economia e mergulha profundamente na política partidária. Existe a suspeita de que a medida tenha sido influenciada por grupos ideológicos que buscam desgastar a imagem do atual governo brasileiro no cenário internacional.

Para o leitor brasileiro e o setor produtivo, os próximos passos envolvem uma corrida contra o tempo. O espaço para negociação direta do mérito das tarifas é reduzido, restando aos exportadores a tentativa de modulação de danos ou o recurso a instâncias jurídicas nos próprios Estados Unidos e na Organização Mundial do Comércio (OMC). No plano interno, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) pode analisar medidas de retaliação, o que elevaria ainda mais a temperatura da disputa. O impacto imediato será sentido no custo de exportação de produtos manufaturados e commodities, mas o efeito secundário será o uso desse "tarifaço" como arma retórica nas próximas campanhas presidenciais. Enquanto a direita e a esquerda devem trocar acusações sobre a responsabilidade pelo isolamento comercial, a economia real enfrenta o risco de um retrocesso que pode comprometer o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a estabilidade das relações diplomáticas a longo prazo.

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