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EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras

Governo Trump classifica facções brasileiras como terroristas globais e abre caminho para sanções financeiras severas.

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Redação 360 Notícia
29 de maio de 2026 às 00:003 min
EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras
Foto: Reprodução
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Os Estados Unidos oficializaram a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas globais. A decisão, anunciada pelo secretário Marco Rubio após reunião com Flávio Bolsonaro, amplia o poder de sanções dos EUA e gera debate sobre a soberania brasileira.

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou uma medida drástica que altera profundamente as relações de segurança e diplomacia com o Brasil. Na noite desta quinta-feira (28), o Departamento de Estado americano confirmou a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O anúncio oficial foi conduzido pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que descreveu as facções brasileiras como entidades extremamente violentas cujo alcance já ultrapassou as fronteiras nacionais e passou a ameaçar a segurança interna norte-americana. A decisão impõe sanções severas e abre caminho para uma nova forma de monitoramento e repressão a essas quadrilhas em escala global.

A designação ocorre em dois níveis distintos, cada um com implicações jurídicas específicas na legislação dos EUA. A primeira é a classificação como "Terroristas Globais Especialmente Designados", que entrou em vigor imediatamente após o anúncio de ontem. Este rótulo é abrangente, atingindo não apenas os líderes das facções, mas também indivíduos, empresas de fachada e financiadores que prestem qualquer suporte logístico ou econômico aos grupos. A segunda denominação, a de "Organizações Terroristas Estrangeiras" (FTO, na sigla em inglês), passará a valer efetivamente a partir do dia 5 de junho de 2025. Juntas, essas medidas visam sufocar as rotas de financiamento internacional das facções e facilitar o congelamento de ativos financeiros em instituições que operam no sistema bancário ligado aos Estados Unidos.

O movimento diplomático ocorre logo após uma série de reuniões de alto nível em Washington. Na última terça-feira (26), o senador brasileiro Flávio Bolsonaro, atual pré-candidato à Presidência do Brasil, foi recebido por Donald Trump na Casa Branca. Na quarta-feira, o parlamentar reuniu-se com Marco Rubio, reforçando o pedido de que as facções fossem tratadas como grupos terroristas por parte da inteligência americana. Rubio, ao justificar a medida, ressaltou que ambas as organizações comandam milhares de membros e são responsáveis por ataques brutais contra civis e autoridades brasileiras. Segundo o secretário, a estratégia do governo Trump é utilizar todas as ferramentas disponíveis para negar recursos e neutralizar o poder operacional de grupos narcoterroristas que desestabilizam a América Latina.

Historicamente, o governo brasileiro tem demonstrado resistência a esse tipo de classificação. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou anteriormente que o combate ao crime organizado deve ser pautado pela cooperação mútua e pela criação de grupos de trabalho específicos entre os países das Américas, mas sem o uso do rótulo de "terrorismo". A principal preocupação em Brasília é o risco à soberania nacional. Especialistas em relações internacionais apontam que, ao categorizar o PCC e o CV como terroristas, os Estados Unidos adquirem, sob sua própria legislação interna, uma margem maior de manobra para realizar operações de inteligência, vigilância cibernética e até intervenções militares localizadas, reduzindo barreiras burocráticas que normalmente se aplicariam no combate ao tráfico de drogas comum.

As implicações futuras dessa decisão são vastas e ainda imprevisíveis. Além do impacto imediato no rastreamento de lavagem de dinheiro, a classificação pode influenciar como outros países da região lidam com a movimentação dessas facções em territórios como Paraguai, Bolívia e Colômbia. No Brasil, o debate deve se acirrar entre os defensores de medidas mais rígidas de segurança com apoio direto dos EUA e aqueles que temem que o país se torne alvo de sanções ou de uma presença militar estrangeira indesejada. Analistas indicam que o modelo adotado agora pelos Estados Unidos é semelhante ao utilizado contra cartéis mexicanos e o regime venezuelano, sinalizando uma guinada na política externa americana para a segurança hemisférica, onde o crime transnacional é elevado ao nível de ameaça existencial à defesa nacional.

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