Economia

EUA classificam facções brasileiras como terroristas e governo Lula vê risco ao PIX

Ministro da Fazenda alerta para riscos de sanções que podem atingir o sistema de pagamentos brasileiro após decisões de Washington.

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Redação 360 Notícia
1 de junho de 2026 às 12:003 min
EUA classificam facções brasileiras como terroristas e governo Lula vê risco ao PIX
Foto: Reprodução
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O ministro Dario Durigan se reunirá com autoridades dos EUA para tratar da classificação do PCC e CV como terroristas. A medida gera preocupação sobre sanções econômicas que podem afetar o sistema bancário brasileiro e a operação do PIX.

O cenário econômico e diplomático entre Brasil e Estados Unidos entrou em uma fase de sensível tensão após a recente decisão do governo norte-americano de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Diante do impacto potencial dessa medida nas finanças brasileiras, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, anunciou nesta segunda-feira (1º) que cumprirá uma agenda de reuniões com autoridades em Washington nos próximos dias. O objetivo central é mitigar riscos regulatórios que podem atingir o sistema bancário nacional e o funcionamento do PIX, o sistema de pagamentos instantâneos que se tornou um pilar da economia doméstica.

A preocupação do Ministério da Fazenda reside na severidade das sanções aplicadas pelo Tesouro dos Estados Unidos a entidades que colaboram, mesmo que de forma indireta ou por falhas de fiscalização, com grupos designados como terroristas. Historicamente, os EUA utilizam sua influência no sistema financeiro global para isolar indivíduos e organizações que ameaçam sua segurança nacional. No caso brasileiro, a nova classificação das facções criminosas cria uma vulnerabilidade jurídica para os bancos. Caso uma instituição financeira brasileira seja acusada de processar transações vinculadas a esses grupos, ela poderá sofrer bloqueios que a impediriam de operar com dólares ou transacionar com o mercado externo, gerando um efeito dominó que poderia paralisar serviços tecnológicos de ponta, como o próprio PIX.

Durante entrevista à rádio CBN, Durigan ressaltou que o PIX é tratado pelo governo federal como um símbolo de soberania financeira e inovação tecnológica. A possibilidade de intervenção ou sanção externa sobre o sistema é vista com extrema cautela pelo Palácio do Planalto. O ministro argumentou que, embora o combate ao crime organizado seja uma prioridade transnacional, a rotulagem de terrorismo não deve ser utilizada como instrumento de pressão comercial ou política. Ele alertou que, em casos extremos, alegações infundadas sobre a movimentação de dinheiro de facções poderiam ser usadas como pretexto para restringir a infraestrutura de pagamentos do Brasil, o que prejudicaria milhões de cidadãos e empresas.

Este embate ocorre em um momento de fricção política acentuada, exacerbada por uma investigação comercial aberta pelos EUA baseada na "Seção 301". Esse mecanismo permite que o governo norte-americano aplique tarifas ou restrições contra países que adotem práticas comerciais consideradas desleais. Curiosamente, o PIX foi citado nessa investigação sob o argumento de que poderia criar vantagens competitivas indevidas, prejudicando empresas de tecnologia financeira dos Estados Unidos. Para o governo brasileiro, essas acusações carecem de base técnica e possuem um forte componente político, especialmente após encontros de parlamentares da oposição brasileira com figuras influentes da administração Trump, o que levanta suspeitas de uma coordenação para pressionar o atual governo do Brasil.

Para o futuro imediato, a estratégia brasileira será baseada na diplomacia técnica e no fortalecimento dos mecanismos de cooperação policial e fiscal. O Ministério da Fazenda pretende demonstrar aos interlocutores americanos que os sistemas de controle e prevenção à lavagem de dinheiro no Brasil são robustos e que o PIX, longe de ser um facilitador para o crime, é um sistema monitorado que promove a formalização da economia. Espera-se que as reuniões em Washington sirvam para desvincular as sanções contra o crime organizado das infraestruturas estatais de pagamento, preservando a estabilidade do mercado financeiro brasileiro e a autonomia tecnológica do país diante das potências globais.

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