Dólar inicia segunda-feira em queda com atenção voltada para inflação e indicadores globais
Abertura do mercado é marcada por novos dados da inflação no Boletim Focus e monitoramento da atividade industrial nos Estados Unidos.

O dólar iniciou a semana em queda moderada, cotado a R$ 5,02, enquanto o mercado digeria dados do Boletim Focus e aguardava indicadores industriais dos EUA. Com a inflação de 2026 sob pressão pela 12ª semana seguida, investidores monitoram os impactos do petróleo e a confiança empresarial no Brasil.
O mercado de câmbio brasileiro iniciou a jornada desta segunda-feira, 1º de junho, apresentando uma trajetória de desvalorização para a moeda norte-americana. Por volta das 9h41, o dólar registrava uma queda de 0,30%, sendo negociado no patamar de R$ 5,0272. Este movimento de abertura reflete uma combinação de fatores técnicos e a reação dos investidores a uma agenda econômica carregada, que inclui desde dados domésticos sobre a percepção empresarial e inflação até indicadores cruciais sobre o vigor da atividade industrial nos Estados Unidos, que servem de bússola para a liquidez global.
No cenário interno, o principal balizador das expectativas foi o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. O documento, que sintetiza as projeções dos principais analistas financeiros do país, trouxe um dado que gerou cautela: a previsão para a inflação de 2026 foi elevada pela 12ª semana consecutiva, atingindo agora 5,09%. O pessimismo em relação ao controle de preços no médio prazo é amplamente atribuído à volatilidade dos preços internacionais do petróleo, pressionados por conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Como o Brasil possui uma economia sensível aos custos de transporte e combustíveis, qualquer repique no barril de Brent gera um efeito cascata que preocupa o mercado e as autoridades monetárias.
Para o leitor brasileiro, a movimentação do dólar e as previsões do Focus têm impacto direto no poder de compra e no custo de vida. Embora o dólar tenha mostrado recuo pontual no início do dia, a persistência de expectativas inflacionárias elevadas pode forçar o Banco Central a manter os juros em patamares restritivos por mais tempo. Além disso, a Confederação Nacional do Comércio e a Fundação Getulio Vargas (FGV) monitoram a confiança empresarial, que é um termômetro vital para a geração de empregos e investimentos. Se o empresário percebe um cenário de custos crescentes e incerteza externa, a tendência é de retração nas contratações, o que afeta diretamente o dinamismo do consumo interno.
No âmbito externo, o foco principal recai sobre os Estados Unidos, onde a divulgação dos índices PMI industrial e ISM manufatureiro ditará o ritmo da moeda global ao longo do dia. Esses indicadores medem a saúde do setor fabril americano e são usados por investidores para prever os próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Se a economia americana der sinais de aquecimento excessivo, a chance de os juros permanecerem altos por lá aumenta, o que costuma atrair capital para os títulos americanos e, consequentemente, valoriza o dólar frente ao real. Na Ásia, o fechamento dos mercados foi misto, com a China apresentando dados industriais abaixo do esperado, o que contrasta com o desempenho positivo das bolsas no Japão e na Coreia do Sul.
Outro ponto de atenção política e econômica veio das declarações de Dario Durigan, ministro substituto da Fazenda, que abordou as recentes classificações de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Embora pareça um tema de segurança pública, tal classificação tem desdobramentos financeiros, pois endurece os mecanismos de controle sobre movimentações de capitais e pode influenciar a percepção de risco institucional do país. Ao longo do dia, o comportamento do Ibovespa, que abre às 10h, será fundamental para consolidar o humor dos investidores e definir se o alívio matinal no dólar se manterá ou se a pressão externa e inflacionária voltará a ditar o fechamento do dia.





