Política

Eleições 2026: Apenas um partido registra mais mulheres do que homens em suas candidaturas

Unidade Popular é a única legenda com maioria de mulheres; cenário nacional mostra crescimento de apenas 1% na participação feminina em relação ao pleito anterior.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
Publicado em 22 de agosto de 2026 às 08:002 min
Eleições 2026: Apenas um partido registra mais mulheres do que homens em suas candidaturas
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Dados do TSE revelam que apenas um dos trinta partidos brasileiros possui maioria feminina entre seus candidatos. A participação das mulheres subiu apenas 1% em relação a 2022.

O cenário eleitoral brasileiro de 2026 expõe a persistente disparidade de gênero na política institucional do país. De acordo com o levantamento mais recente consolidado pela Justiça Eleitoral, a participação feminina nas urnas apresenta um crescimento tímido e, em termos estruturais, apenas uma legenda entre as trinta registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) conseguiu inverter a lógica predominante e apresentar uma maioria de mulheres em sua lista de candidatos. Trata-se da Unidade Popular (UP), que se destaca estatisticamente no pleito atual como o único partido a ultrapassar a paridade em favor do gênero feminino.

Os dados oficiais revelam que a UP registrou um total de 188 nomes para as diversas esferas em disputa, abrangendo desde as Assembleias Legislativas estaduais até o Palácio do Planalto. Dentro desse quadro, a legenda conta com 100 candidatas mulheres, o que representa 53% de suas indicações totais, enquanto os homens somam 88 registros (47%). Este movimento é consolidado também na chapa majoritária para a Presidência da República, onde o partido optou por uma composição formada exclusivamente por mulheres, tanto na posição de titular quanto na de vice-presidente, marcando uma posição de contraste em relação às demais coligações.

Ao analisar o panorama geral das eleições de 2026, percebe-se que a evolução da representatividade feminina ainda ocorre de forma lenta e gradual. Atualmente, a participação das mulheres em todo o Brasil atinge a marca de 35% do total de candidaturas, um aumento de apenas um ponto percentual em relação ao pleito geral anterior, realizado em 2022, quando o índice era de 34%. Em números absolutos, o universo eleitoral deste ano compreende 20.496 registros aprovados, sendo que 7.134 correspondem a mulheres e 13.362 a homens, evidenciando que a barreira de dois terços masculinos nas listas partidárias ainda é uma realidade nacional.

Na outra extremidade do ranking, a sub-representação é acentuada em legendas que mal conseguem cumprir as exigências básicas de cotas ou que concentram seus recursos em quadros masculinos. O Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), por exemplo, apresenta o menor percentual de mulheres em sua base de candidatos para este ciclo, registrando apenas 17% de participação feminina. Esse dado reflete a dificuldade de certas agremiações em diversificar suas fileiras e promover lideranças femininas competitivas, muitas vezes limitando-se ao cumprimento formal das obrigatoriedades legais sem uma política interna de incentivo real.

As implicações desse cenário são diretas na futura composição do Congresso Nacional e dos governos estaduais. Especialistas apontam que, embora existam leis que determinam uma reserva mínima de 30% de candidaturas de cada sexo e a distribuição proporcional de recursos de campanha, a concentração de poder decisório nas cúpulas partidárias ainda privilegia candidaturas masculinas com histórico de reeleição. A discrepância numérica entre os 35% de candidatas e a maioria feminina no eleitorado brasileiro — onde as mulheres representam mais de 52% dos votantes — sugere que os próximos passos da justiça eleitoral devem focar na fiscalização rigorosa das candidaturas fictícias e na garantia de visibilidade para as pleiteantes em 2026.

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Autor: Antonio Marcos de Souza

Publicado: 22 de agosto de 2026 às 08:00

Atualizado: 22 de agosto de 2026 às 08:00

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