Educação na Bahia: Governo sanciona abono extraordinário para servidores da rede estadual
Benefício derivado de precatórios do Fundef contempla mais de 80 mil servidores e será pago no próximo dia 9 de junho.

O governador Jerônimo Rodrigues sancionou a lei que autoriza o pagamento de um abono extraordinário para mais de 80 mil profissionais da educação na Bahia. O benefício, derivado de precatórios do Fundef, será depositado em junho para servidores efetivos, Reda e aposentados.
O governador Jerônimo Rodrigues oficializou a sanção da lei que institui o pagamento de um abono extraordinário voltado aos profissionais da educação básica da rede estadual da Bahia. A medida, que possui caráter excepcional e temporário, visa beneficiar mais de 80 mil servidores, entre ativos e inativos, utilizando recursos provenientes dos precatórios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). De acordo com o cronograma estabelecido pela gestão estadual, o crédito desses valores ocorrerá no dia 9 de junho, representando uma injeção financeira direta para a categoria e para a economia das cidades baianas.
A origem desse repasse está vinculada a uma dívida histórica da União com o Estado da Bahia referente a repasses do Fundef que não foram realizados de forma integral entre o final da década de 1990 e os primeiros anos dos anos 2000. Após longas disputas judiciais, os valores foram liberados na forma de precatórios, e a legislação atual exige que uma parte significativa seja repassada diretamente aos profissionais do magistério como forma de valorização e reconhecimento pelo serviço prestado à educação pública. Para o exercício de 2026, o governo destinou 20% do montante total desses precatórios para custear este abono indenizatório específico, garantindo que o recurso cumpra sua função social e legal.
O público-alvo da medida é abrangente dentro da Secretaria da Educação. Terão acesso ao benefício os profissionais que integravam a folha de pagamento no mês de abril deste ano, o que inclui servidores efetivos de carreira, profissionais contratados por meio do Regime Especial de Direito Administrativo (Reda) e ocupantes de cargos em comissão. Além disso, o benefício contempla aposentados e pensionistas que dedicaram anos de serviço à rede estadual. Os valores a serem recebidos variam conforme a jornada de trabalho: profissionais com 20 horas semanais devem receber, em média, R$ 721,18, enquanto aqueles com carga horária de 40 horas terão direito a aproximadamente R$ 1.442,37. É importante ressaltar que, por possuir natureza indenizatória, o abono não sofre as mesmas incidências fiscais salariais comuns.
Além do abono extraordinário focado na educação, o pacote de leis sancionado pelo governador Jerônimo Rodrigues trouxe avanços para outras áreas do funcionalismo público da Bahia. Uma das alterações significativas atinge os educadores que atuam nas Comunidades de Atendimento Socioeducativo (Case). A lei amplia o alcance da Gratificação pelo Exercício em Unidade do Sistema Prisional (GEUSP) para esses profissionais que trabalham diretamente na reintegração de adolescentes em conflito com a lei, reconhecendo a complexidade e a periculosidade do ambiente de internação. Outro ponto relevante é a criação da Gratificação de Atividade de Campo (GAC) para servidores do Inema e da Secretaria do Meio Ambiente, focada em quem atua na linha de frente da fiscalização e proteção ambiental do estado.
Para o leitor brasileiro, e especialmente o baiano, essas medidas sinalizam um esforço de gestão para pacificar relações laborais e cumprir obrigações financeiras pendentes há décadas. No dia 9 de junho, data prevista para o pagamento, também será liberado o abono regular dos precatórios para aqueles que trabalharam entre 1998 e 2006. O desdobramento esperado é que esses incrementos na renda dos servidores ajudem a reduzir os índices de endividamento da categoria e motivem o corpo docente em um momento em que a educação pública enfrenta desafios de modernização e recuperação de aprendizagem. Nos próximos meses, a expectativa é que a Secretaria de Administração monitore o impacto desses pagamentos no orçamento estadual, mantendo o diálogo com as entidades representativas dos servidores.






