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Dentista em Goiânia é presa sob suspeita de deformar pacientes em cirurgias clandestinas

Valéria Ribeiro é investigada por lesão corporal grave em sete pacientes; profissional teria tentado cuidar de vítima em sua própria residência para evitar UTI.

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Redação 360 Notícia
29 de maio de 2026 às 11:002 min
Dentista em Goiânia é presa sob suspeita de deformar pacientes em cirurgias clandestinas
Foto: Reprodução
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A dentista Valéria Ribeiro foi presa em Goiânia suspeita de causar deformidades graves em pacientes. Investigação aponta que ela realizava cirurgias invasivas sem habilitação e chegou a tratar vítima em casa após complicações. Justiça bloqueou R$ 600 mil da profissional.

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Goiás culminou na prisão preventiva da dentista Valéria Ribeiro, acusada de causar deformidades permanentes e graves lesões em diversos pacientes após a realização de cirurgias estéticas em Goiânia. O caso tomou proporções ainda mais graves com a revelação de que a profissional teria levado uma das vítimas para sua própria residência em uma tentativa desesperada de realizar um "tratamento caseiro", após o procedimento clínico apresentar complicações severas que quase levaram a paciente a uma internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O inquérito, coordenado pelo delegado Wladimir Freire, aponta que a dentista realizava intervenções de alta complexidade, como rinoplastia, lipoaspiração de papada e blefaroplastia, dentro de uma clínica odontológica que não possuía a estrutura hospitalar necessária para tais atos. A operação, batizada de "Protocolo de Risco", identificou que as vítimas eram submetidas a jornadas exaustivas na cadeira de operação, com relatos de procedimentos que ultrapassavam 12 horas de duração. Até o momento, sete pessoas formalizaram denúncias relatando quadros de infecção generalizada, necrose de tecidos faciais, fibroses e cicatrizes que comprometeram não apenas a estética, mas a funcionalidade de órgãos da face.

A conduta de Valéria é classificada juridicamente como lesão corporal grave, uma vez que as sequelas impediram os pacientes de exercerem suas atividades habituais por períodos superiores a 30 dias, além de causarem danos irreversíveis. O contexto dos atendimentos revela uma negligência profunda: segundo a polícia, a profissional não detinha as especializações exigidas pelo Conselho Federal de Odontologia para realizar cirurgias invasivas de face. Embora a harmonização orofacial com injetáveis seja permitida para dentistas, cirurgias que envolvem cortes e aspirações exigem um título de especialista específico (CEOF) que, segundo os indícios, a suspeita não possuía no momento das práticas.

Além da detenção de Valéria, a justiça determinou o sequestro de bens e valores na ordem de R$ 600 mil. Essa medida cautelar visa garantir um eventual ressarcimento financeiro às vítimas, que agora enfrentam custos elevados com cirurgias reparadoras e tratamentos psicológicos. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na clínica, localizada no Setor Bueno, uma funcionária da dentista foi presa em flagrante enquanto tentava ocultar documentos e materiais que poderiam servir de prova para os investigadores, configurando tentativa de obstrução de justiça.

O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) confirmou que Valéria possui registro ativo, mas reiterou que o seguimento estético invasivo possui regras rígidas. O caso acende um alerta no Brasil sobre a proliferação de procedimentos estéticos realizados por profissionais de saúde fora de suas áreas de competência técnica. Para os próximos passos, a Polícia Civil aguarda a perícia nos equipamentos e prontuários apreendidos e não descarta o surgimento de novas vítimas conforme o caso ganha visibilidade pública. A defesa da dentista, em nota, informou que ainda busca acesso integral aos autos para formular uma manifestação técnica, enquanto a investigada optou pelo silêncio em seu depoimento inicial.

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