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Decisão dos EUA sobre facções pode abalar economia do Brasil, alerta Ministro da Fazenda

Dario Durigan critica designação de facções como terroristas pelos EUA e aponta riscos para a estabilidade financeira nacional.

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Redação 360 Notícia
29 de maio de 2026 às 22:003 min
Decisão dos EUA sobre facções pode abalar economia do Brasil, alerta Ministro da Fazenda
Foto: Reprodução
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou que a classificação do PCC e CV como grupos terroristas pelos EUA é um 'ato eleitoral' com potencial para desestabilizar a economia brasileira e aumentar o risco para investidores internacionais.

O cenário econômico e diplomático brasileiro foi sacudido por uma declaração contundente vinda da alta cúpula do Ministério da Fazenda nesta sexta-feira (29). Dario Durigan, titular da pasta e nome central na gestão das contas públicas do país, expressou profunda preocupação com a recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Para o ministro, essa medida, embora apresentada sob o viés da segurança pública internacional, carrega um forte componente político e eleitoral que pode gerar reverberações severas e imediatas sobre a estabilidade financeira e a imagem do Brasil no mercado global.

A classificação de grupos criminosos comuns como terroristas por parte de Washington costuma carregar um peso simbólico e prático que vai muito além das fronteiras norte-americanas. Historicamente, essa designação é utilizada pelos EUA para aplicar sanções econômicas rígidas, bloquear ativos em instituições financeiras internacionais e restringir o trânsito de indivíduos e recursos ligados a esses grupos. No entanto, no contexto brasileiro, Durigan argumenta que tal movimento não deve ser lido apenas como uma cooperação no combate ao tráfico, mas como um gesto estratégico dentro de um calendário de eleições, capaz de estigmatizar a economia nacional e afastar investidores que buscam segurança jurídica e previsibilidade.

O receio do Ministério da Fazenda baseia-se na possibilidade de que o Brasil passe a ser visto sob uma ótica de instabilidade institucional crônica. Quando organizações que operam dentro do território nacional são elevadas ao status de terroristas por uma potência global, o "risco-país" tende a sofrer revisões por agências de classificação e fundos de investimento. O termo "ato eleitoral", utilizado por Durigan, sugere que a medida pode ter sido acelerada para atender demandas de palanques políticos, ignorando a complexidade da rede financeira brasileira e os esforços que já vêm sendo feitos pelas autoridades locais para sufocar o financiamento do crime organizado sem comprometer o fluxo lícito de capitais.

Para o leitor e o investidor brasileiro, o desdobramento mais imediato pode ser a volatilidade do câmbio e a retração em setores que dependem fortemente de crédito externo. O setor bancário, por exemplo, pode enfrentar critérios de conformidade (compliance) ainda mais rigorosos para transações internacionais que envolvam o Brasil, aumentando os custos operacionais e dificultando a entrada de dólares. Além disso, a pecha de "terrorismo" dentro das fronteiras pode afetar o setor de turismo e grandes eventos, setores que vinham apresentando recuperação e são fundamentais para a geração de empregos e arrecadação de impostos no curto e médio prazo.

Olhando para o futuro, a declaração de Durigan sinaliza que o governo federal deve intensificar os canais diplomáticos para tentar mitigar o impacto dessa classificação. Não se trata apenas de negar a periculosidade dessas facções, que é reconhecida nacionalmente, mas de dissociar a atividade criminosa da saúde econômica do Estado brasileiro. Espera-se que, nos próximos dias, ocorram reuniões entre representantes do Itamaraty, da Fazenda e autoridades norte-americanas para alinhar como essas sanções serão aplicadas na prática, buscando garantir que as ferramentas de combate ao crime não punam desproporcionalmente o cidadão comum ou as empresas legítimas que sustentam o Produto Interno Bruto (PIB) do país.

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