Entre Palavras

De volta aos braços eternamente abertos

Estarei lá, sempre me esperando, sem adornos, fantasias, adereços ou máscaras. Límpido como o céu estrelado, iluminado como o sol na pele, fazendo-me sorrir outra e outra vez.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
Publicado em 13 de julho de 2026 às 01:14Atualizado em 14 de agosto de 2026 às 11:473 min
De volta aos braços eternamente abertos
Foto: Reprodução
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Hoje, depois de voltar do campo, fui à casa de uma irmã para conversar, desabafar. E por mais que eu falasse, cada palavra parecia um bisturi cortando novamente feridas já abertas. Não era pelos conselhos, mas pela necessidade de relembrar certas coisas que acontecem e que, por um milissegundo, nos fazem duvidar de tudo o que somos. Depois, voltei para casa — e quem me conhece sabe. Eita, Marcos colocou o som! Parece coisa boa, né? Está feliz! Não, pelo contrário: é quando estou tentando segurar o que escapa, querendo entender a desfaçatez, tantas vezes sem respostas e sem defesa, já que não existe nada que justifique certos comportamentos.

Então coloco apenas uma música no modo repetição e a ouço centenas de vezes, a tarde inteira. Daquelas canções que falam de amor na frequência certa, na nuance da honestidade, da pureza e do refinamento verdadeiro que não morre, que não tem vaidade, que me encoraja a ter sentimentos bons, apesar da virada da noite que traz escuridão e nubla nosso sol por alguns instantes. Mas ele sempre volta, clareando os caminhos por onde caminhei até chegar aqui.

Carrego comigo as marcas do preconceito e da discriminação velada que ainda sinto e vejo — e que continuam a doer, a machucar, a maltratar. Dói quando se tem um coração bom, uma alma boa. Dói quando se é julgado e condenado sem a mínima condição de defesa, porque o amor puro não precisa de defesa, mas tenta de alguma forma gritar, ser defensável, vencer a maldade e seus múltiplos disfarces que tentam nos enganar. Havia algo que não se defendia, não conseguiria, ainda que tentasse. Ficou só eu e a bagunça.

Das ações de outros, dos cortes que nos fizeram sorrindo, daqueles que, com a visão turva, desfocada pela miopia do ódio, da insensatez e da incapacidade de enxergar, de se entregar, nos jogam em um calabouço e nos condicionam ao distanciamento, à indiferença — com seus tantos disfarces de que tudo está bem, tranquilo e suave. No fundo, porém, tudo isso continua fervilhando.

Já vivi muitas coisas, ouvi muitas histórias e convivi com situações que não quero mais. Não me permito adoecer, fraquejar ou desanimar por causa do que dizem, fazem ou insinuam. Sei que dói bastante. Aprendi levando tapas no rosto e, desde que tive noção de gente, sempre procurei fazer um bom caminho, trilhar boas estradas. Porque, no revés da vida, voltarei orgulhosamente pelo mesmo caminho, de cabeça erguida.

Nunca, jamais, terei vergonha de voltar — pela minha boa índole, pelo meu coração bom, pela pessoa que sou. Orgulho-me das escolhas que fiz e das boas pessoas que caminharam comigo, que também se sentem orgulhosas dessa trajetória. Julgado serei sempre, insinuado também. Mas a história, todas as minhas trilhas, são visíveis.

Eles conseguem encontrar o caminho de casa — o caminho do coração? De volta aos braços e abraços sempre abertos? Quem está lá esperando? Eu. Estarei lá, sempre me esperando, sem adornos, fantasias, adereços ou máscaras. Límpido como o céu estrelado, iluminado como o sol na pele, fazendo-me sorrir outra e outra vez.

Antonio Marcos de Souza

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Autor: Antonio Marcos de Souza

Publicado: 13 de julho de 2026 às 01:14

Atualizado: 14 de agosto de 2026 às 11:47

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