Entre Palavras

De volta aos braços eternamente abertos

E nesse amanhecer, estarei inteiro, firme, orgulhoso de ser quem sou, sem jamais negar minha essência, sem jamais apagar a luz que carrego dentro de mim.

12 de julho de 2026 às 22:143 min
De volta aos braços eternamente abertos
Foto: Reprodução
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Hoje, depois de voltar do campo, fui à casa de uma irmã para conversar, desabafar. E por mais que eu falasse, cada palavra parecia um bisturi cortando novamente feridas já abertas. Não era pelos conselhos em si, mas pela necessidade de relembrar certas coisas que aconteceram e que, por um milésimo de segundo, nos fazem duvidar de quem realmente somos. Depois, regressei para casa. Quem me conhece sabe: quando Marcos coloca o som, parece coisa boa, parece alegria. Mas, na verdade, muitas vezes é o contrário. É quando estou tentando segurar o que escapa, tentando me manter vivo. Então coloco uma música no modo repetição e a escuto centenas de vezes, durante toda a tarde. São dessas canções que falam de um amor verdadeiro, que não morre, que não tem vaidade, que me encorajam a cultivar sentimentos bons, mesmo diante da noite que chega trazendo escuridão e nublando o sol por instantes. Mas sei que ele sempre volta, clareando os caminhos que trilhei até chegar aqui.

Carrego comigo as marcas do preconceito e da discriminação velada, que ainda sinto e vejo, e que continuam a doer, a machucar, a maltratar. Dói porque tenho um coração bom, uma alma limpa. Dói porque tantas vezes fui julgado e condenado sem a mínima chance de defesa. Mas aprendi que o amor puro não precisa de justificativa, não precisa de defesa. Ele simplesmente existe, ainda que outros não consigam enxergar. A infelicidade, muitas vezes, depende das ações daqueles que, com a visão turva, desfocada pela miopia do ódio e da insensatez, nos jogam em calabouços de indiferença, disfarçados de tranquilidade e suavidade. No fundo, porém, tudo continua fervilhando.

Já vivi muitas coisas, ouvi muitas histórias e convivi com situações que não quero mais repetir. Não me permito adoecer, fraquejar ou desanimar por causa do que dizem, insinuam ou fazem. Sei que dói, e dói bastante. Mas aprendi, levando tapas no rosto e enfrentando a dureza da vida, que é preciso sempre escolher o bom caminho, trilhar boas estradas. Porque, no revés da vida, voltarei orgulhosamente pelo mesmo caminho, de cabeça erguida. Nunca, jamais, terei vergonha de voltar, pois minha índole é boa, meu coração é sincero e minha essência é verdadeira. Orgulho-me das escolhas que fiz e das boas pessoas que caminharam comigo, que também se sentem orgulhosas dessa trajetória.

Julgado serei sempre, insinuado também. Mas minha história está escrita nas trilhas que percorri, visíveis a quem quiser enxergar. Eles conseguem encontrar o caminho de volta para casa, para o coração? Lá, estarei sempre me esperando, de braços abertos, sem adornos, sem fantasias, sem máscaras. Límpido como o céu estrelado, iluminado como o sol que aquece a pele e me faz sorrir outra e outra vez.

E se a vida insiste em me testar, eu insisto em resistir. Porque sei que, apesar da escuridão, sempre haverá um amanhecer. E nesse amanhecer, estarei inteiro, firme, orgulhoso de ser quem sou, sem jamais negar minha essência, sem jamais apagar a luz que carrego dentro de mim.

Antonio Marcos de Souza

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