Notícias

Colômbia decide futuro presidente sob sombra de violência e fragmentação política

Escolha do sucessor de Gustavo Petro ocorre em meio à escalada da violência política e impasse no Legislativo colombiano.

Por
Redação 360 Notícia
30 de maio de 2026 às 07:003 min
Colômbia decide futuro presidente sob sombra de violência e fragmentação política
Foto: Reprodução
Compartilhar

A Colômbia vai às urnas neste domingo para escolher o sucessor de Gustavo Petro. Com um cenário marcado pelo assassinato de candidatos, Congresso fragmentado e a persistência de guerrilhas, o país sul-americano decide entre a continuidade da esquerda e o retorno da direita conservadora.

A Colômbia enfrenta um momento decisivo em sua história política recente ao se preparar para a eleição presidencial que ocorre neste domingo, 31 de maio. O pleito ganha contornos dramáticos não apenas pela sucessão de Gustavo Petro, o primeiro mandatário de esquerda do país que, por impedimento constitucional, não pode concorrer à reeleição, mas também pelo clima de insegurança que tomou conta da campanha eleitoral. O cenário reflete uma nação polarizada, que busca um caminho de estabilidade em meio a um aumento expressivo da violência urbana e à persistência de grupos armados que ainda exercem controle territorial em diversas zonas rurais e de fronteira.

A disputa está centrada em três figuras principais que representam visões de mundo antagônicas para o futuro da nação andina. Do lado do governo, Iván Cepeda, do Pacto Histórico, tenta dar continuidade ao projeto progressista de Petro, focando na reforma social e na continuidade dos diálogos de paz. Na oposição, a direita se divide entre dois polos: Abelardo de la Espriella, que adota uma tática "antissistema" inspirada em lideranças populistas globais de extrema direita, e Paloma Valencia, senadora que carrega a herança política de Álvaro Uribe e defende uma postura mais rígida de lei e ordem. As pesquisas indicam que, se nenhum candidato alcançar mais de 50% dos votos válidos, a decisão será levada para o segundo turno no dia 21 de junho.

Um dos maiores obstáculos para o futuro governante será a gestão de um Congresso Nacional profundamente fragmentado. As eleições legislativas realizadas em março deixaram um saldo de dispersão partidária extrema, com 32 siglas representadas na Câmara e oito no Senado. Embora o Pacto Histórico detenha as maiores bancadas, ele está longe de possuir uma maioria que permita a aprovação de reformas estruturais sem amplas coalizões. Essa paralisia legislativa já foi o calcanhar de Aquiles da gestão Petro e tende a se repetir, exigindo do novo presidente uma habilidade de negociação política constante, sob o risco de enfrentar um mandato de estagnação institucional.

O pano de fundo desta eleição é manchado pelo sangue de figuras políticas e civis. A morte de Miguel Uribe Turbay, promissor herdeiro político do uribismo assassinado em 2025 após um atentado em Bogotá, simboliza o retorno da violência política de alto nível no país. Além disso, a situação de segurança nacional é crítica; confrontos recentes entre dissidências das antigas Farc na região amazônica e atentados a bomba que vitimaram dezenas de pessoas em abril mostram que a paz prometida há dez anos ainda é uma meta distante. Grupos como o ELN e facções criminosas ligadas ao extrativismo ilegal de ouro e ao narcotráfico intensificaram o recrutamento de menores e as disputas por rotas de escoamento, desafiando a autoridade do Estado.

O próximo presidente da Colômbia terá de definir, de imediato, a política de relacionamento com esses insurgentes. A estratégia de "paz total" de Petro, baseada no diálogo e na anistia negociada, sofre duras críticas da oposição, que clama por uma repressão militar mais contundente. Para o Brasil e para a América do Sul, o resultado desta eleição é vital, dado que a Colômbia é um parceiro comercial chave e um ator central nas questões ambientais e amazônicas. A estabilidade política colombiana é fundamental para a integração regional e para o controle das redes de criminalidade transnacional que operam nas fronteiras sul-americanas.

#Eleições na Colômbia#Gustavo Petro#Iván Cepeda#Paloma Valencia#Guerrilha Farc#Política Internacional#América Latina

Leia também