Notícias

Chefe do Pentágono alerta para poderio chinês e exige fim de 'caronas' na defesa asiática

Pete Hegseth exige que países asiáticos elevem investimentos em defesa para 3,5% do PIB e encerrem dependência de Washington.

Por
Redação 360 Notícia
30 de maio de 2026 às 06:003 min
Chefe do Pentágono alerta para poderio chinês e exige fim de 'caronas' na defesa asiática
Foto: Reprodução
Compartilhar

Em fórum na Ásia, Pete Hegseth exige que aliados aumentem gastos militares para 3,5% do PIB e alerta para o avanço de Pequim. O chefe do Pentágono declarou o fim dos subsídios de defesa e reforçou a prontidão contra o Irã em um cenário de alta tensão geopolítica.

O cenário geopolítico global ganhou novos contornos de tensão e pragmatismo durante o Diálogo de Shangri-La, em Singapura, o principal fórum de segurança da Ásia. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, utilizou o evento deste sábado (30) para emitir um alerta contundente sobre a rápida expansão militar da China e a necessidade urgente de uma resposta coordenada por parte dos aliados regionais. Em um discurso que misturou diplomacia e cobrança direta, o chefe do Pentágono instou os países asiáticos a assumirem uma fatia significativamente maior dos custos de defesa, visando equilibrar a influência crescente de Pequim no Indo-Pacífico.

A retórica adotada por Hegseth reflete a doutrina externa da administração do presidente Donald Trump, que prioriza a divisão de responsabilidades financeiras em tratados militares. Segundo o secretário, os aliados asiáticos devem elevar seus investimentos em defesa para o patamar de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), uma meta ambiciosa que busca reduzir a dependência histórica dos subsídios militares norte-americanos. Em contrapartida, Washington reafirmou seu compromisso com a própria modernização bélica, prometendo um investimento massivo de US$ 1,5 trilhão em suas Forças Armadas para garantir que a balança de poder não penda exclusivamente para o lado chinês, o que, segundo o Pentágono, destruiria a estabilidade regional.

Para o leitor brasileiro, o movimento é relevante por indicar uma reorganização dos fluxos de poder e comércio no Pacífico, região que é o principal destino das exportações do agronegócio e mineração do Brasil. A insistência de Hegseth na "autossuficiência" dos parceiros, como Japão, Coreia do Sul e Filipinas, marca o fim de uma era que ele descreveu como de "caronistas" na segurança global. O secretário deixou claro que os Estados Unidos buscam "parceiros, não protetorados", indicando que a proteção militar norte-americana estará cada vez mais condicionada a contrapartidas financeiras sólidas e ao fortalecimento mútuo da rede de dissuasão contra agressões hegemônicas.

Apesar do tom firme quanto aos gastos, houve um espaço notável para a diplomacia. Hegseth reconheceu que a relação entre Washington e Pequim vive um momento de maior previsibilidade, com canais de comunicação militar reabertos e contatos frequentes que ajudam a mitigar o risco de conflitos acidentais. Representantes chineses presentes no fórum, como o pesquisador Zhou Bo, notaram uma mudança positiva na postura dos EUA, creditando a melhora relativa ao diálogo direto entre Trump e Xi Jinping. Essa dualidade — de preparação para o combate e manutenção de canais abertos — demonstra uma estratégia de "paz pela força", onde os EUA tentam impor respeito militar sem necessariamente fechar as portas para acordos comerciais e diplomáticos.

Além da questão asiática, o secretário de Defesa abordou frentes críticas no Oriente Médio, reafirmando que Washington mantém prontidão militar contra o Irã caso as negociações sobre o programa nuclear fracassem. Ele também sinalizou que o apoio a Taiwan, incluindo um pacote bilionário de armas, permanece sob análise direta do presidente Trump, sem garantias automáticas de aprovação. O que se desenha para os próximos meses é uma política externa americana focada na eficiência de custos e na pressão sobre aliados, forçando uma reconfiguração da segurança mundial onde cada nação deverá investir pesado em sua própria proteção se quiser manter o respaldo da maior potência militar do globo.

#Pentágono#China#Estados Unidos#Defesa Militar#Pete Hegseth#Donald Trump#Geopolítica#Coreia do Sul

Leia também