Cemitério em Manaus sedia exibição de filme sobre trajetória de santa popular local
Filme sobre a trajetória de Etelvina de Alencar é projetado no Cemitério São João Batista, unindo fé, história e o debate sobre o feminicídio.

O Cemitério São João Batista, em Manaus, recebeu a estreia de um documentário sobre Etelvina de Alencar, figura histórica transformada em santa popular após seu assassinato em 1901.
O Cemitério São João Batista, localizado em Manaus, transformou seu cenário histórico em uma sala de projeção cinematográfica na última sexta-feira (15). O evento marcou o lançamento do documentário “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia”, que narra a trajetória de uma jovem morta em 1901 e que se tornou um ícone de devoção popular no Amazonas. A exibição ocorreu ao ar livre, permitindo que o público acompanhasse a obra em meio aos túmulos e corredores do local onde a protagonista está sepultada.
A escolha do ambiente para a estreia teve o objetivo de conectar a audiência diretamente com a memória fúnebre e a herança cultural da cidade. Segundo o diretor Cleinaldo Marinho, a produção é fruto de uma pesquisa iniciada na década de 1990 e de gravações realizadas durante o Dia de Finados ao longo dos últimos anos. O filme utiliza uma mistura de registros documentais, relatos espontâneos de fiéis e recriações dramatizadas para contar como o feminicídio de Etelvina de Alencar foi transformado pela fé da comunidade em uma narrativa de santidade.
Além do aspecto religioso, a obra propõe um debate crítico sobre a violência de gênero, destacando que o crime ocorrido há mais de um século ainda ecoa nas discussões contemporâneas sobre o feminicídio. Com o apoio da Lei Paulo Gustavo, a produção busca agora espaço em festivais de cinema para expandir o alcance dessa história que une tragédia pessoal, patrimônio histórico e fenômeno social em Manaus.






