Carta da Amazônia cobra ações emergenciais para rodovias e rios no encerramento da TranspoAmazônia
Documento assinado por 28 entidades exige recuperação de rodovias federais e garantias para a navegabilidade dos rios no Norte do país.

Vinte e oito entidades assinam a 'Carta da Amazônia' cobrando melhorias urgentes na BR-319, Transamazônica e na dragagem de rios durante a TranspoAmazônia 2026. Documento pede investimentos estratégicos para garantir a logística e o abastecimento na Região Norte.
O encerramento da TranspoAmazônia 2026, realizada em Manaus, consolidou-se como um marco histórico para o desenvolvimento da infraestrutura no Norte do país. O evento culminou com a assinatura e divulgação da "Carta da Amazônia", um documento estratégico elaborado por 28 entidades de peso nacional e internacional. O manifesto apresenta um diagnóstico detalhado das carências logísticas da região e formaliza um apelo conjunto ao Poder Público por intervenções urgentes que garantam a conectividade terrestre e a eficiência da navegação fluvial, pilares fundamentais para a economia local e para o abastecimento de milhões de brasileiros que vivem na região.
A precariedade das estradas amazônicas foi o tema central das discussões. O documento elenca seis rodovias federais que necessitam de intervenções imediatas para assegurar a trafegabilidade segura: BR-319, BR-174, BR-364, BR-153, BR-163 e a icônica BR-230, a Transamazônica. Estas vias representam as artérias vitais para o escoamento da produção e para o transporte de passageiros em uma área de dimensões continentais. Historicamente, essas rodovias sofrem com a falta de manutenção adequada e com o isolamento provocado por trechos em situação de abandono, o que eleva drasticamente os custos do frete e prejudica a competitividade das empresas instaladas nos polos industriais e comerciais do Norte.
Além do asfalto, a modalidade fluvial recebeu atenção especial na Carta da Amazônia. As entidades signatárias destacaram a necessidade de um plano permanente de dragagem e manutenção dos canais de navegação. A crise climática tem intensificado os períodos de estiagem, fazendo com que o nível dos rios atinja patamares críticos que impedem a passagem de grandes embarcações. O texto reforça que o transporte pelos rios não deve ser visto apenas como uma alternativa, mas como a espinha dorsal da logística amazônica, exigindo investimentos contínuos em tecnologia e infraestrutura portuária para evitar desabastecimentos cíclicos e garantir a integração regional durante todo o ano.
No âmbito político e institucional, a TranspoAmazônia 2026 demonstrou uma força de mobilização inédita. Com a presença de representantes de mais de 60 países, o evento contou com o apoio de gigantes como a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac). A participação de autoridades federais e a promessa de novos investimentos, incluindo discussões sobre a reativação plena da BR-319, foram interpretadas pelos empresários do setor como um sinal de que a região finalmente está no radar prioritário do governo. A busca por condições igualitárias de competição para novos empreendimentos também foi citada como essencial para reduzir desigualdades históricas que ainda pesam sobre o Norte do Brasil.
O sucesso da terceira edição da feira e congresso já garantiu a continuidade do debate. Os organizadores confirmaram que a TranspoAmazônia 2027 será realizada entre os dias 19 e 21 de maio do próximo ano, impulsionada pela alta demanda de expositores e pelo interesse de investidores internacionais em fechar parcerias com companhias locais. Para o Brasil, os desdobramentos desse encontro são fundamentais: sem uma logística robusta na Amazônia, o país perde potencial exportador e encarece o custo de vida interno. A expectativa agora gira em torno da resposta prática dos ministérios e órgãos competentes aos prazos e pedidos apresentados na Carta da Amazônia, visando uma transformação estrutural que vá além das promessas políticas.






