Carrapito: a tradição secular do doce de cana e mamão que resiste no interior do ES
Produzida com cana, mamão e gengibre, iguaria centenária em Alfredo Chaves atrai turistas e preserva memória familiar.

Conheça a história do carrapito, doce centenário feito com cana e mamão que sobrevive graças ao trabalho artesanal de uma família em Alfredo Chaves.
No interior de Alfredo Chaves, na região serrana do Espírito Santo, uma receita que atravessa gerações resiste como símbolo cultural e gastronômico. O carrapito, um doce artesanal elaborado a partir da combinação de caldo de cana, mamão verde e gengibre, é mantido vivo pela dedicação da família Bravim. Embora o preparo fosse comum em décadas passadas, a iguaria tornou-se uma raridade, sendo atualmente produzida de forma exclusiva por este grupo familiar na localidade de Vila Nova do Ribeirão.
O processo de fabricação é marcado pelo rigor artesanal e pela paciência, exigindo dois dias de trabalho intenso. Após a colheita dos ingredientes, o caldo de cana passa por uma fervura prolongada antes de receber o mamão ralado. O cozimento exige que a mistura seja mexida ininterruptamente por cerca de quatro horas em tachos, finalizando com o toque aromático do gengibre. Apesar da profissionalização da estrutura produtiva em 2018 para atender normas sanitárias, a execução permanece estritamente manual e familiar.
Mesmo com uma produção semanal limitada a aproximadamente 125 quilos, a demanda pelo carrapito supera a oferta, atraindo consumidores de outros estados e até do exterior, com registros de encomendas para a Austrália. Para os produtores, o doce vai além do valor comercial, servindo como um elo com o passado e despertando memórias afetivas em quem o consome. Apesar do desafio físico que o preparo impõe, a família busca preservar o legado e incentiva que novas gerações aprendam a técnica para evitar o desaparecimento desta tradição secular.





