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Moda circular: Negócios liderados por mulheres negras em Goiás transformam retalhos em renda

Empreendedoras goianas utilizam o reaproveitamento de tecidos para criar marcas sustentáveis e enfrentar desigualdades no mercado de moda.

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Redação Automática
9 de maio de 2026 às 08:002 min
Moda circular: Negócios liderados por mulheres negras em Goiás transformam retalhos em renda
Foto: Reprodução
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Empreendedoras negras em Goiás lideram a transição para a moda circular, transformando resíduos têxteis em negócios sustentáveis que resgatam a ancestralidade. Apesar de obstáculos econômicos, essas mulheres ganham destaque nacional e internacional ao priorizar o consumo ético.

Na contramão do modelo "fast fashion", que gera altos índices de poluição e descarte, empreendedoras negras em Goiás têm utilizado a moda circular como ferramenta de sustentabilidade e geração de renda. Ao reaproveitar retalhos e tecidos que seriam jogados no lixo, essas mulheres não apenas reduzem o impacto ambiental de uma indústria responsável por até 10% das emissões globais de gases estufa, mas também fortalecem suas identidades e garantem o sustento de suas famílias. O movimento prioriza a durabilidade das peças e o uso de matérias-primas que possam retornar ao ciclo produtivo sem gerar resíduos.

Dados do Sebrae-GO revelam a força desse grupo: as mulheres negras representam 53% das empreendedoras no estado. No entanto, o caminho é marcado por barreiras estruturais, como o acesso limitado ao crédito e remunerações que chegam a ser 58% menores do que as de homens brancos na mesma posição. Para combater essas desigualdades, iniciativas como o Programa Plural oferecem suporte especializado, buscando formalizar negócios que muitas vezes começam no ambiente doméstico e se baseiam na moda autoral e afro, unindo técnicas de design a traços culturais profundos.

Histórias como a de Nirce Pereira, da Njinga Moda Afro, e Milleide Lopes, da Novelo Moda, ilustram como o conhecimento ancestral se transforma em diferencial de mercado. Nirce aprendeu a costurar por necessidade e hoje utiliza sobras têxteis para criar acessórios, enquanto Milleide herdou da mãe a técnica de transformar resíduos em novos produtos muito antes do termo "upcycling" se popularizar. Já Theodora Alexandre, fundadora da Thear, elevou a produção goiana a patamares internacionais, levando peças feitas com fibras naturais para passarelas como a São Paulo Fashion Week e produções televisivas, provando que a responsabilidade socioambiental é o novo eixo do luxo e da inovação.

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