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Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial após crise geológica em Maceió

Petroquímica busca reestruturar dívidas bilionárias após desastre socioambiental que deslocou milhares de moradores em Alagoas.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 18:00Atualizado em 24 de agosto de 2026 às 19:442 min
Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial após crise geológica em Maceió
Foto: Reprodução
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A Braskem protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas bilionárias decorrentes do desastre da mineração em Maceió, que afetou 60 mil pessoas.

A petroquímica Braskem anunciou oficialmente, nesta segunda-feira (24), o protocolo de um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de renegociar uma dívida bilionária que pressiona suas operações. O movimento financeiro ocorre em um cenário de forte desgaste institucional e jurídico, motivado diretamente pelo desastre geológico causado pela extração de sal-gema em Maceió, Alagoas. O pedido de reestruturação é visto pelo mercado como uma tentativa de dar fôlego ao caixa da companhia, que enfrenta indenizações massivas e custos de recuperação ambiental que superam a casa dos bilhões de reais.

O contexto da crise remonta ao ano de 2018, quando fortes tremores de terra foram sentidos em diversos bairros da capital alagoana. O fenômeno, inicialmente cercado de mistério, revelou-se posteriormente como a consequência direta de décadas de mineração desenfreada em áreas urbanas. A extração do mineral, iniciada ainda na década de 1970, criou cavidades subterrâneas que perderam a estabilidade, resultando no afundamento progressivo do solo. Esse processo de subsidência comprometeu a infraestrutura de cinco bairros inteiros — Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol —, transformando áreas residenciais e comerciais vibrantes em verdadeiras "cidades fantasmas".

Os detalhes do impacto social são devastadores: estima-se que cerca de 60 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas residências e estabelecimentos comerciais devido ao risco iminente de colapso das edificações. Milhares de imóveis apresentaram rachaduras estruturais profundas e crateras se abriram em vias públicas. Em dezembro de 2023, o caso ganhou contornos ainda mais críticos com o rompimento da mina de número 18, localizada na região do Mutange, que sofreu um colapso parcial sob as águas da Lagoa Mundaú. O episódio reafirmou a gravidade da instabilidade do terreno e a necessidade de monitoramento constante por parte da Defesa Civil e de órgãos ambientais federais.

As implicações judiciais acompanham a deterioração financeira da empresa. Recentemente, a Justiça Federal aceitou uma denúncia que coloca ex-dirigentes e técnicos da Braskem sob investigação direta. O Ministério Público Federal apura as responsabilidades individuais e corporativas no que é considerado um dos maiores desastres socioambientais urbanos do mundo. Além das ações criminais e cíveis, a empresa enfrenta uma pressão diplomática e econômica, uma vez que o caso Maceió tornou-se um exemplo negativo de governança corporativa e responsabilidade socioambiental (ESG), afastando investidores e gerando sanções administrativas pesadas.

Os próximos passos da Braskem envolvem agora a aprovação do plano de recuperação extrajudicial pelos seus credores. Caso o acordo seja homologado, a empresa espera alongar os prazos de pagamento de suas dívidas para manter a continuidade das operações. No entanto, o processo de reparação em Maceió continua sendo o maior desafio: o monitoramento das minas deve prosseguir por décadas, e o processo de indenização das famílias afetadas e da prefeitura local ainda possui frentes abertas. A recuperação da área degradada e a destinação do solo afetado permanecem como incógnitas, enquanto a capital alagoana ainda tenta cicatrizar as marcas deixadas pela atividade mineradora no coração de sua malha urbana.

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Autor: Antonio Marcos de Souza

Publicado: 24 de agosto de 2026 às 18:00

Atualizado: 24 de agosto de 2026 às 19:44

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