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Brasil exporta cultura: Estrelas do samba carioca ministram cursos internacionais no México

Evento em Guadalajara reúne estrelas do Salgueiro, Mangueira e outras agremiações para oficinas técnicas e debates sobre o potencial terapêutico do ritmo.

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Redação 360 Notícia
29 de maio de 2026 às 11:003 min
Brasil exporta cultura: Estrelas do samba carioca ministram cursos internacionais no México
Foto: Reprodução
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Ícones do Carnaval carioca, incluindo mestres de bateria e casais de mestre-sala e porta-bandeira, desembarcam no México para o International Samba Congress. O evento promove uma imersão técnica e terapêutica na cultura brasileira para cerca de 200 estrangeiros em Guadalajara.

O cenário cultural internacional ganha cores verde e amarelo neste final de semana com a realização do International Samba Congress, sediado na cidade de Guadalajara, no México. Entre os dias 29 e 31 de maio, o evento transforma o território mexicano em um polo de resistência e celebração da cultura brasileira, reunindo estrelas consagradas do Carnaval do Rio de Janeiro. O objetivo central é proporcionar uma imersão profunda não apenas na técnica da dança, mas na complexidade rítmica e histórica que compõe a identidade do país. Reunindo cerca de 200 alunos de diversas nacionalidades, o congresso reafirma a força do samba como um dos principais produtos de exportação imaterial do Brasil.

A iniciativa, que teve sua semente plantada em 2017, é fruto da visão da psicóloga brasileira Ana Carla Laidley, amplamente conhecida no meio artístico como Aninha Malandro. Filha do lendário Carlinhos Pandeiro de Ouro, Aninha traz em seu DNA a herança direta da malandragem e do ritmo carioca. Através de sua plataforma, a Samba ‘N’ Motion, ela tem construído pontes sólidas entre o Brasil e o resto do mundo, profissionalizando o ensino do samba no exterior. Para os historiadores e pesquisadores da área, eventos dessa magnitude servem como um contraponto necessário ao apagamento cultural, garantindo que o samba seja reconhecido como uma tecnologia social e um patrimônio vivo, e não apenas como um entretenimento sazonal de fevereiro.

A delegação brasileira que desembarcou no México conta com nomes de peso que são pilares das principais escolas de samba do Grupo Especial. Entre os 23 profissionais participantes, destacam-se os mestres de bateria do Salgueiro, Guilherme e Gustavo Oliveira, além do premiado mestre-sala Sidclei Santos. A Mangueira também marca presença com o seu primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Olivério e Cintya Santos, garantindo que a técnica ancestral do bailado do pavilhão seja transmitida com precisão. A diversidade das aulas impressiona: além do tradicional "samba no pé", o currículo inclui oficinas de percussão, samba de malandro, gafieira de gafieira e expressões de matriz afro-brasileira, oferecendo um panorama completo da evolução dos ritmos nacionais.

Para além do aspecto técnico e performático, o congresso aborda o samba sob uma perspectiva humana e terapêutica. Ana Carla Laidley utiliza sua formação em psicologia para defender o poder curativo do ritmo. Segundo a organizadora, o ambiente do samba oferece acolhimento para indivíduos que enfrentam traumas severos, como doenças graves, violência doméstica e perdas pessoais. Para muitos estrangeiros, o contato com o samba proporciona uma sensação de pertencimento e uma válvula de escape emocional, transformando a prática em um exercício de resiliência. Esse viés social é corroborado pelo depoimento de artistas como Matheus Olivério, que vê no ensino internacional uma forma de honrar suas origens humildes e o aprendizado obtido em projetos sociais no Rio de Janeiro.

O sucesso do International Samba Congress no México sinaliza uma tendência crescente de valorização do carnaval como indústria criativa global. Para o setor cultural brasileiro, esses eventos geram empregabilidade para artistas fora da época do desfile e fortalecem o "soft power" do Brasil no cenário internacional. Ao levar o patrimônio cultural para além das fronteiras, os profissionais reafirmam que o Brasil é detentor de uma riqueza que transcende as crises econômicas e políticas. O próximo passo, segundo os organizadores e participantes, é continuar expandindo as fronteiras do projeto, mantendo viva a chama da tradição e garantindo que o rugido dos tambores brasileiros continue sendo ouvido e respeitado em todos os continentes.

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