Economia

Argentina e Equador entram na lista dos 10 piores países para trabalhadores no mundo

Novo relatório da CSI aponta queda histórica da Argentina e consolidação do Uruguai como referência positiva; Brasil segue no grupo de violações sistemáticas.

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Redação 360 Notícia
1 de junho de 2026 às 18:003 min
Argentina e Equador entram na lista dos 10 piores países para trabalhadores no mundo
Foto: Reprodução
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Relatório da Confederação Sindical Internacional coloca Argentina, Panamá e Equador entre as nações mais perigosas para trabalhadores. A Argentina despencou no ranking em apenas dois anos, enquanto o Uruguai se consolida como a única exceção positiva na América Latina.

O cenário das relações laborais na América Latina sofreu um abalo significativo com a divulgação do mais recente Índice Global de Direitos, elaborado pela Confederação Sindical Internacional (CSI). O relatório deste ano aponta uma deterioração alarmante na proteção aos trabalhadores na região, destacando Argentina, Panamá e Equador como integrantes do temido "top 10" dos piores países do mundo para se trabalhar. A entrada dessas nações no grupo mais crítico do ranking evidencia um enfraquecimento das instituições de fiscalização e uma mudança nas políticas governamentais que, segundo o estudo, privilegiam o capital em detrimento da segurança jurídica e física dos empregados.

A situação da Argentina é tratada com especial atenção no documento. O país vizinho caiu para a categoria 5, o nível mais baixo da escala, que indica que os direitos trabalhistas "não são garantidos", mesmo que existam formalmente na legislação. Esta queda foi descrita pelos analistas como brusca e inédita, ocorrendo em um intervalo de apenas dois anos. O relatório atribui parte dessa derrocada ao governo de Javier Milei, que implementou medidas restritivas, como o protocolo antibloqueio. Essa ferramenta autoriza o uso da força policial para desobstruir vias durante protestos, o que, na visão da CSI, caracteriza uma repressão hostil à organização sindical e ao direito de manifestação dos trabalhadores argentinos.

O Brasil, por sua vez, não ocupa a lista dos dez piores, mas também não apresenta um desempenho exemplar. O país foi classificado no grupo 4, juntamente com nações como Costa Rica, El Salvador e Peru. Este grupo é definido pela ocorrência de "violações sistemáticas de direitos", o que sugere que, embora o arcabouço legal brasileiro ainda ofereça proteções, existem falhas recorrentes na aplicação das leis e na garantia de que os trabalhadores possam exercer suas funções e organizar-se sindicalmente sem sofrer retaliações ou impedimentos estruturais. A posição brasileira reflete um histórico recente de reformas que flexibilizaram contratos e enfraqueceram a arrecadação das entidades de classe.

No cenário centro-americano e andino, Panamá e Equador completam o trio latino-americano de pior desempenho. No Panamá, o relatório aponta uma opressão constante exercida tanto pelo setor privado quanto pelo Estado, dificultando o acesso a garantias básicas. Já no Equador, as críticas se concentram em legislações aprovadas recentemente que permitem a vigilância de comunicações e a coleta de dados de civis sem autorização judicial, o que impacta diretamente a privacidade e a segurança de líderes laborais em suas articulações. A América Latina, como um todo, permanece sendo a região mais perigosa para o exercício da atividade sindical, com registros de assassinatos de representantes na Colômbia e no México.

Em contrapartida, o Uruguai surge como o grande ponto fora da curva no continente. Localizado no grupo 1, ao lado de democracias sólidas como Alemanha, Noruega e Dinamarca, o país é citado como uma "exceção" regional por manter níveis de violações apenas esporádicos. Enquanto isso, o secretário-geral da CSI, Luc Triangle, alerta que o cerceamento de direitos laborais está deixando de ser uma característica apenas de regimes autoritários para se tornar um problema central nas democracias modernas. Para o leitor brasileiro, esses dados servem como um alerta sobre a fragilidade das conquistas sociais e a necessidade de monitoramento constante das políticas públicas que afetam o equilíbrio entre produção e bem-estar humano.

O Índice Global de Direitos utiliza quase uma centena de indicadores fundamentados nas convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A tendência global observada é de enfraquecimento do direito de greve e do registro de novos sindicatos, que foram bloqueados em cerca de 90% dos países analisados. O futuro das relações de trabalho na América Latina depende agora da pressão exercida por organismos internacionais e da capacidade de resposta das sociedades civis locais frente ao avanço de pautas que priorizam a desregulamentação total do mercado em face das proteções sociais históricas.

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