Economia

Aprovação do fim da escala 6x1: Hugo Motta defende redução de jornada como saúde pública

Presidente da Câmara compara fim da escala 6x1 a avanços históricos e defende que produtividade não depende apenas de horas trabalhadas.

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Redação 360 Notícia
28 de maio de 2026 às 03:003 min
Aprovação do fim da escala 6x1: Hugo Motta defende redução de jornada como saúde pública
Foto: Reprodução
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O presidente da Câmara, Hugo Motta, defendeu a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1, classificando a medida como uma 'promoção da saúde'. O texto aprovado reduz a jornada semanal para 40 horas e segue para votação no Senado após longo debate sobre produtividade e direitos.

O cenário das relações trabalhistas no Brasil deu um passo histórico nesta quarta-feira (27) com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da jornada de trabalho na escala 6x1. O texto, que agora segue para análise do Senado Federal, propõe uma reestruturação profunda na carga horária semanal, reduzindo-a de 44 para 40 horas. A decisão foi celebrada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que classificou a mudança como uma medida essencial de saúde pública e um avanço civilizatório necessário para o desenvolvimento do país.

A aprovação acontece após semanas de intensos debates entre parlamentares, entidades sindicais e representantes do setor produtivo. Hugo Motta, ao comentar o resultado, traçou um paralelo histórico com outras grandes reformas sociais brasileiras. Segundo o deputado, momentos de ruptura com modelos antigos, como a criação da Carteira de Trabalho e até a abolição da escravidão, foram marcados por previsões pessimistas de colapso econômico que nunca se concretizaram. Para o presidente da Câmara, resistir à mudança é um comportamento padrão em processos de evolução social, mas a política deve priorizar o bem-estar da população e a modernização das condições de vida do trabalhador.

Os detalhes técnicos da PEC aprovada preveem uma transição escalonada para que as empresas possam se adaptar à nova realidade. O cronograma estabelece que a redução total das quatro horas semanais ocorra em um intervalo de até 14 meses. Inicialmente, nos primeiros 60 dias após a promulgação, a escala 6x1 deixa de existir formalmente, garantindo ao trabalhador pelo menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos. Quanto à redução da carga horária, as primeiras duas horas devem ser cortadas em até dois meses, enquanto as duas horas restantes serão retiradas em um prazo de um ano após a primeira etapa. Essa modulação foi o ponto de equilíbrio encontrado para atender às demandas de empresários que temiam impactos imediatos no custo operacional.

Outro ponto de destaque no texto é a estratégia para forçar a negociação coletiva. A proposta determina que, passados 60 dias da promulgação, quaisquer acordos ou convenções coletivas que ainda prevejam jornadas superiores às novas regras perderão a validade automaticamente. Isso cria um mecanismo de urgência para que sindicatos patronais e de trabalhadores busquem consensos sobre a implementação prática das novas escalas. Além disso, a proposta foca na produtividade qualitativa. Durante o plenário, defendeu-se que o Brasil possui uma das maiores cargas horárias do mundo, mas sofre com a estagnação da produtividade há décadas, provando que passar mais tempo no posto de trabalho não significa, necessariamente, gerar mais valor ou eficiência econômica.

Para o leitor brasileiro, a medida representa uma mudança de paradigma que pode impactar diretamente a qualidade de vida, o consumo e o mercado de lazer. No entanto, a regra não será universal: profissionais de alta renda, com diploma de nível superior e salários superiores a aproximadamente R$ 21,1 mil (duas vezes e meia o teto do INSS), não estarão sujeitos ao controle rígido de ponto estabelecido pela PEC, visando combater a precarização por meio da "pejotização" e garantindo flexibilidade a cargos gerenciais. Agora, a atenção se volta para o Senado Federal, onde o texto precisará de 49 votos favoráveis em dois turnos para se tornar parte definitiva da Constituição Brasileira. Especialistas apontam que, se confirmada, a reforma exigirá investimentos robustos em tecnologia e qualificação para suprir a redução de horas com maior eficiência produtiva.

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