Economia

Anúncios de apostas com Kane e Haaland são banidos por apelo a menores de idade

A Advertising Standards Authority considerou 'irresponsável' o uso de ídolos do futebol em peças publicitárias devido ao alto apelo junto ao público menor de idade.

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Redação 360 Notícia
1 de junho de 2026 às 07:003 min
Anúncios de apostas com Kane e Haaland são banidos por apelo a menores de idade
Foto: Reprodução
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Órgão regulador do Reino Unido bane propagandas de apostas com astros do futebol Harry Kane e Erling Haaland no Instagram. A decisão aponta que o uso de ídolos globais atrai ilegalmente o interesse de menores de idade, reforçando o debate sobre a ética no marketing das 'bets'.

A Advertising Standards Authority (ASA), principal órgão de regulação publicitária do Reino Unido, emitiu uma decisão contundente que ressoa no mercado global de apostas esportivas e marketing digital. A entidade baniu anúncios publicados no Instagram que utilizavam as imagens dos renomados jogadores de futebol Harry Kane e Erling Haaland. A justificativa central para o veto é a classificação dessas peças promocionais como "irresponsáveis", uma vez que o uso de ídolos do esporte de tal magnitude possui um apelo desproporcional e perigoso sobre o público menor de 18 anos, violando as normas de proteção à criança e ao adolescente em vigor no território britânico.

O caso se originou a partir de postagens realizadas pela Oddschecker, um popular site de comparação de probabilidades de apostas. Em uma das postagens, o atacante Harry Kane aparecia acompanhado de dados indicando que ele era o favorito dos apostadores para conquistar a Bola de Ouro em 2026. Em outra, o destaque era Erling Haaland e o volume de apostas direcionado à seleção da Noruega para a próxima Copa do Mundo. A denúncia que desencadeou a investigação foi formalizada por um pesquisador da Universidade de Bristol, que questionou a ética de vincular figuras que servem de modelo aspiracional para jovens a serviços de jogos de azar e apostas de alto risco.

A defesa apresentada pela Cyan Blue Odds Ltd, empresa responsável pela Oddschecker, argumentou que as publicações possuíam um caráter essencialmente "editorial" e informativo, e não estritamente publicitário. Além disso, a companhia afirmou ter configurado os filtros da rede social para que o perfil fosse acessível apenas por usuários maiores de idade. Entretanto, a ASA refutou esses argumentos de maneira enfática. O órgão regulador destacou que a eficácia dos filtros de idade no Instagram é limitada, dado o alto índice de menores que informam datas de nascimento falsas para acessar conteúdos restritos. Para a entidade, o alto risco de atrair jovens com a imagem de ídolos globais supera qualquer medida técnica de restrição de perfil adotada pela plataforma.

Este cenário ganha contornos de extrema relevância para o público brasileiro, especialmente em um momento de intensa regulamentação das casas de apostas, as chamadas "bets", no Brasil. O exemplo britânico serve de alerta sobre como a publicidade infantil e o marketing de influência estão sob escrutínio rigoroso. Enquanto no Reino Unido a jurisprudência já caminha para vetar estrelas em atividade, a ASA utilizou um critério de distinção interessante: em outro julgamento, permitiu o uso da imagem de Thierry Henry pela operadora Betway. A lógica aplicada foi de que Henry, como ex-jogador e atual comentarista, não possui o mesmo apelo direto com a geração atual de crianças e adolescentes que Kane e Haaland exercem hoje como protagonistas dos gramados.

Os desdobramentos dessa decisão indicam uma tendência global de endurecimento das regras para o setor de iGaming. Espera-se que, daqui para frente, as empresas do conselho de autorregulamentação publicitária e os órgãos governamentais passem a observar com lupa não apenas o conteúdo das propagandas, mas o perfil psicológico e demográfico dos embaixadores escolhidos pelas marcas. A indústria de apostas, que injeta bilhões em patrocínios esportivos anualmente, enfrenta agora o desafio de equilibrar a visibilidade comercial com a responsabilidade social extrema, evitando a exposição de jovens a um comportamento de risco que pode levar ao vício e a prejuízos financeiros precoces.

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