Amazonas registra queda de 14,6% no desmatamento em 2025 conforme novos dados do MapBiomas
Levantamento do MapBiomas Alerta revela queda na área devastada e no número de notificações de crimes ambientais no estado.

Levantamento do MapBiomas Alerta indica redução de 14,6% na área desmatada no Amazonas em 2025. Vigilância remota e operações de campo contribuíram para a queda nos índices, refletindo tendência nacional de desaceleração da destruição ambiental.
O estado do Amazonas apresentou um recuo importante nos índices de devastação florestal durante o ano de 2025. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), elaborado pela plataforma MapBiomas Alerta e divulgado nesta quarta-feira (27), a queda na supressão de vegetação nativa foi de 14,6% em comparação ao ano anterior. O levantamento também revelou uma diminuição expressiva na quantidade de alertas de desmatamento emitidos pelos sistemas de monitoramento via satélite, com uma redução da ordem de 30% em solo amazonense. Esses números representam uma vitória parcial para os órgãos de fiscalização que tentam conter o avanço ilegal sobre a maior floresta tropical do planeta.
Os dados detalhados pelo relatório mostram que a área total desmatada no Amazonas recuou de 79.569 hectares registrados em 2024 para 67.986 hectares ao longo de 2025. Paralelamente, o volume de notificações de irregularidades, que servem como base para o envio de equipes de campo, caiu de 5.235 para 3.667 registros no mesmo intervalo. Essa desaceleração ocorre em um contexto de pressão internacional e cobranças por políticas de preservação mais eficazes, especialmente em áreas críticas que fazem fronteira com o avanço da fronteira agrícola e atividades de exploração madeireira clandestina no sul do estado.
Para o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), os resultados atuais são frutos diretos de um novo arranjo estratégico nas operações de comando e controle. Segundo Gustavo Picanço, diretor-presidente do órgão, o fortalecimento do Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP) foi fundamental para otimizar os recursos públicos. A utilização de tecnologias de monitoramento remoto de alta precisão permitiu que o Estado respondesse com maior agilidade aos alertas, deslocando equipes de fiscalização para pontos exatos de desmate em andamento. Essa estratégia de "resposta rápida" visa desencorajar infratores e garantir a presença estatal em regiões de difícil acesso.
O cenário positivo observado no Amazonas caminha em conjunto com uma tendência nacional de retração na degradação ambiental. Pela primeira vez desde que o MapBiomas Alerta iniciou sua série histórica de medições, o Brasil conseguiu manter a perda total de vegetação nativa abaixo da marca simbólica de 1 milhão de hectares em um único ano. Em 2025, o país contabilizou 984.794 hectares desmatados, o que equivale a uma queda de 20,6% em relação aos dados de 2024. Todos os biomas brasileiros, incluindo o Cerrado e a Mata Atlântica, apresentaram alguma redução em seus índices oficiais de destruição, sugerindo uma tendência de consolidação de mecanismos de proteção em diversas esferas governamentais.
Apesar do otimismo com os números apresentados, especialistas alertam que a batalha contra o desmatamento ilegal está longe de acabar. A meta de "desmatamento zero" exigirá que a queda nos indicadores se torne sustentável e contínua nos próximos anos. O desafio agora reside em como manter as fiscalizações em alta escala diante de variações orçamentárias e como promover o desenvolvimento econômico da região sem comprometer o bioma. O caso exemplar do município de Borba, que registrou a maior multa ambiental do estado em 2025 devido ao desmate ilegal, serve como lembrete do rigor que deve ser mantido nas penalidades administrativas e criminais.
Para o futuro imediato, os órgãos ambientais planejam intensificar a integração de dados entre sistemas estaduais e federais para fechar o cerco contra a grilagem de terras. O sucesso alcançado em 2025, somado a dados preliminares positivos do início de 2026, indica que a Amazônia pode estar entrando em uma fase de recuperação gradual. Resta assegurar que os investimentos em tecnologia e pessoal para o Ipaam e outras autarquias ambientais continuem sendo prioridade na gestão pública para que o pulmão do mundo respire com um pouco mais de alívio nas décadas que virão.






