Economia

Agronegócio brasileiro prevê queda de produtividade e desafios até 2027

Setor enfrenta riscos climáticos severos e alta nos custos de produção que podem impactar o PIB nos próximos anos.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 07:003 min
Agronegócio brasileiro prevê queda de produtividade e desafios até 2027
Foto: Reprodução
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O agronegócio brasileiro deve enfrentar um ciclo de queda até 2027, pressionado pela chegada do fenômeno El Niño e pela alta nos custos de fertilizantes. Especialistas alertam para quebra de safras e redução da produtividade após período recorde.

O setor agropecuário brasileiro, que vinha sendo o principal motor do crescimento econômico nacional, atingiu um ponto de inflexão preocupante. De acordo com dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embora o setor tenha apresentado uma alta de 2% no primeiro trimestre deste ano, impulsionado pela safra de soja, o horizonte à frente é de retração. Especialistas e consultorias econômicas indicam que o Brasil encerrou o período que muitos chamaram de "tempestade perfeita" — uma raríssima combinação de clima favorável, preços de commodities elevados e alta produtividade — para entrar em um ciclo de instabilidade que deve durar até 2027.

O cenário de pessimismo é fundamentado em dois pilares principais: o retorno do fenômeno climático El Niño e o encarecimento acentuado dos custos de produção. Historicamente, o agronegócio brasileiro é extremamente sensível às variações térmicas nas águas do Oceano Pacífico. A formação do El Niño, prevista para se consolidar entre junho e julho, traz consigo a memória amarga das safras de 2014 e 2015, quando o país registrou quebras históricas em seus volumes colhidos. Para o brasileiro comum, isso significa que a bonança que segurou o PIB nos últimos trimestres pode não ser suficiente para manter a economia em ritmo acelerado nos próximos anos.

A configuração do fenômeno meteorológico impõe um desafio logístico e produtivo de dimensões continentais. Enquanto a região Sul do Brasil tende a sofrer com o excesso de precipitações, prejudicando culturas essenciais como a do arroz no Rio Grande do Sul, o Centro-Norte e o Nordeste (especialmente a região do Matopiba) enfrentam secas severas. Estados como Mato Grosso, o gigante da produção de soja e milho, e o Pará, referência na pecuária, estão no radar de alerta máximo. A irregularidade das chuvas atrasa o calendário de plantio e, consequentemente, reduz a janela de oportunidade para a segunda safra, criando um efeito cascata que compromete o rendimento financeiro das propriedades rurais.

Somado ao fator climático, a instabilidade geopolítica global adiciona pressão aos custos operacionais. O conflito no Oriente Médio provocou um novo salto nos preços dos fertilizantes, insumo do qual o Brasil é altamente dependente. O economista Felippe Serigati, da FGV Agro, aponta que o impacto inflacionário sobre os alimentos pode ser sentido de forma mais direta a partir de 2027, uma vez que as safras atuais utilizaram insumos comprados anteriormente. No entanto, o "bolso" do produtor já sente o golpe agora. Com o crédito mais caro devido às taxas de juros elevadas e o encarecimento dos adubos, muitos agricultores estão optando por reduzir a área plantada ou utilizar tecnologias de menor qualidade, o que diminui o potencial de produtividade por hectare.

Além disso, o setor pecuário enfrenta a sua própria dinâmica de mercado, conhecida como "virada de ciclo". Após anos de abates intensos para atender à demanda externa, o momento agora é de retenção de fêmeas para a recomposição do rebanho e produção de bezerros. Esse movimento natural, somado à valorização do real frente ao dólar — que reduz o lucro de quem exporta soja, milho, algodão e café em moeda nacional —, completa o quadro de desafios. O que se espera para os próximos meses é uma gestão de crise por parte dos produtores, que precisarão equilibrar orçamentos apertados com a incerteza dos céus, aguardando o fim deste novo ciclo de baixa que se desenha para o agronegócio brasileiro.

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