Absenteísmo em consultas e exames trava sistema de saúde e motiva investigação em Sorocaba
Com desistências que chegam a 31% nas UBSs, sistema de saúde municipal acumula prejuízos e aumenta espera de pacientes em estado grave.

O alto índice de pacientes que faltam a consultas e exames em Sorocaba agrava as filas de espera e vira alvo de investigação do Ministério Público. Em algumas unidades, a taxa de ausência chega a 31%.
O sistema público de saúde de Sorocaba enfrenta um gargalo crítico que vai além da falta de recursos: o alto índice de absenteísmo. Dados recentes revelam que cerca de um terço dos agendamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) não são concretizados devido à ausência dos pacientes. Essa realidade gera um efeito cascata que sobrecarrega as listas de espera e ociosidade de equipes médicas que já estão mobilizadas para os atendimentos. Na Policlínica Municipal e na Santa Casa, a situação se repete, com centenas de confirmações de presença sendo descumpridas diariamente, gerando prejuízos financeiros e sociais para o município.
Relatos de moradores expõem o drama de quem aguarda por anos na fila. Pacientes com quadros que necessitam de cirurgias eletivas ou exames complexos, como ressonâncias e procedimentos gástricos, muitas vezes precisam recorrer a recursos particulares ou ajuda comunitária para interromper ciclos de dor e sangramento. Enquanto isso, especialidades como ortopedia e mamografia registram os maiores volumes de faltas, impedindo que as vagas sejam reaproveitadas por quem precisa de assistência imediata.
O Ministério Público passou a investigar o caso, focando tanto na lentidão do atendimento quanto nas falhas de gestão cadastral. Uma das principais hipóteses para o desencontro de informações é a defasagem nos registros da prefeitura, que possui um número de cadastrados muito superior à população real da cidade. A falta de integração do sistema impede que pessoas que já resolveram seus problemas em emergências ou venham a falecer sejam removidas das listas, inflando artificialmente a demanda represada.
Para tentar mitigar o problema, autoridades de saúde reforçam a necessidade de os cidadãos manterem seus dados de contato atualizados nas UBSs ou Casas do Cidadão. A administração municipal pontuou que os custos operacionais, como salários e infraestrutura, permanecem fixos independentemente do comparecimento, tornando cada falta um desperdício direto de verba pública. O desafio agora é modernizar o monitoramento para garantir que a oferta de consultas seja mais eficiente e justa.





