Relíquias Sonoras: Colecionadores mantêm viva a cultura do vinil em Teresina
Entusiastas da capital piauiense preservam a cultura dos LPs como forma de lazer e resgate da memória afetiva.

Advogado de Teresina reúne acervo de 800 LPs e destaca o valor sentimental do formato físico. Movimento reforça o renascimento do vinil como alternativa à rapidez do consumo digital.
Em um cenário dominado pelo consumo imediato das plataformas de streaming, o advogado Ciro de Brito, residente em Teresina, trilha o caminho inverso ao cultivar um acervo expressivo de aproximadamente 800 discos de vinil. Construída ao longo de seis anos, a coleção não é apenas um agrupamento de itens musicais, mas uma ferramenta para desacelerar o cotidiano. O entusiasta ressalta que o manuseio dos encartes e o ritual de limpeza dos LPs proporcionam uma conexão tátil e emocional que a tecnologia digital não consegue replicar.
A experiência sonora do vinil, caracterizada por sua textura auditiva única e o clássico chiado das agulhas, serve como um portal para a nostalgia. Para Brito, dedicar um tempo para ouvir um álbum completo é um exercício de valorização da obra artística, permitindo recordar fases da vida ou explorar épocas passadas. A diversidade do seu catálogo impressiona, mesclando raridades históricas com produções de músicos atuais que voltaram a apostar no formato físico.
A valorização desse suporte também movimenta a economia cultural da capital piauiense. No Mercado do Mafuá, o artista visual Cícero Manoel transformou sua paixão pessoal em um empreendimento, mantendo um espaço dedicado a discos e relíquias de décadas anteriores. O local tornou-se um ponto de encontro para diferentes gerações de aficionados, comprovando que o objeto, outrora dado como obsoleto, reconquistou seu status de item de desejo e peça fundamental de preservação da memória afetiva.





