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A vida vem me desafiando, dobrei aposta

A vida vem me desafiando, dobrei aposta

16 de fevereiro de 2026 às 14:054 min
A vida vem me desafiando, dobrei aposta
Foto: Reprodução
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A vida vem me desafiando, dobrei aposta

"Quando a vida te desafiar, dobre a aposta."

Falo aqui da vida profissional, da qual hoje, 25 de maio de 2023, completo vinte e cinco anos de trabalho numa das profissões mais dignas e bonitas — digo mais, o pilar de todas as outras: a profissão de ser professor. Ensinar, apontar caminhos, direcionar a aquisição do conhecimento e se apropriar dele, fazer uso dele para a vida.

Mas, diante de tantas falácias que escuto — e você também — sabemos que é uma profissão muito sofrida, na prática e na sua realidade nua e crua. Espetacular, transformadora, maravilhosa... em palavras tudo é lindo. Mas durante todo o percurso, no chão onde tudo acontece, é trabalho, suor e lágrimas. No meu caso, nesses 25 anos, foi dobrado. Muito mais trabalho, um derramamento de suor e lágrimas torrenciais.

Vivi de tudo nessa área: correndo risco de morte em estradas perigosas para ir trabalhar na fazenda, feliz da vida no primeiro dia. O perigo nem era notado — a questão toda para mim era chegar e dar minha aula.

Fui Diretor de Escola entre os anos de 2002 até 2008. Quando o telefone toca com a seguinte frase: "Desça, a secretária quer falar com você e sua vice!" Vichi! Minha vice, a saudosa Dona Maura, e eu descemos no "rabo do foguete". Chegando lá na SEMED, sempre aquela conversa bonita, elogiosa de um bom trabalho, mas que não ficaríamos mais e que agradeciam pelo nosso trabalho. Maura e eu saímos e ficamos nos abraçando no sinal, na esquina, quando ela me disse que foi mandada para sala de aula. Com lágrimas nos olhos, não segurei o choro e disse que ela não iria, que desse entrada na aposentadoria — e assim ela foi. Dona Maura faleceu anos depois, mas tive o privilégio de trabalhar com ela: uma pessoa atenciosa, gentil e carinhosa.

Já eu fui para uma das maiores unidades de ensino da rede, tanto em estrutura quanto em quantidade de alunos. Nunca fui de conversa de bastidor — dava minha aula, dentro dos limites da minha sala, e estava tudo certo.

De lá, fui para a Escola Municipal Rui Palmeira. Por causa do meu perfil, me deram, por quatro anos, turmas de 5º ano. Conquistamos a TRI liderança consecutiva do IDEB no município, ganhando reconhecimento e prêmio — que até foi dividido para ajudar a escola com baixo desempenho, para também alcançar seu objetivo. Não digo que essa conquista foi apenas minha: foi de uma equipe alinhada, dedicada, na gestão de Sônia Falcão.

Então, por convite, volto à gestão escolar como vice da Escola Iramilton Leite — uma das mais temidas do município, muito estereotipada, apelidada com o que havia de mais negativo. Antes de sair de casa, após um telefonema, pedi a Deus que, se não fosse da vontade d"Ele e não fosse para meu bem, que eu não desse mais um passo em direção à porta. Enfim, atravessei a porta e fui, pedindo para ser vice gestor em meu coração. E assim se deu.

Fui ser vice gestor com uma das pessoas mais incríveis que conheci: Michelly Moura. Um ser humano que foge de todo conceito de ser humano que conheço. Trabalhos duros naquela escola, para limpar um nome já arraigado por anos. Fizemos um trabalho de conquista dos alunos, que nos testavam a todo momento para ver se fraquejávamos. Mas a "dupla de doidos", como éramos conhecidos, fazia toda aquela engrenagem maluca acontecer.

Vivemos anos maravilhosos lá — também muitos desafios, muitas tristezas e lágrimas, muito medo e um forte desejo, toda vez que a coisa apertava, de ir embora e entregar tudo. Há muita coisa para dizer da Escola Iramilton, mas deixo para o tempo contar. Então acabou lá, com o dever cumprido e com ampla realização. Mas essa área de gerir já fechou o ciclo. É algo que deixo para o passado e que não quero nunca mais que se repita.

Dentre muitos altos e baixos, a vida me desafiou e dobrei mais uma vez a aposta. Saindo da Escola José Marcos, fui para outra unidade para assumir a sala de recursos como professor de AEE — uma situação nova, desafiadora, que aos poucos estou conhecendo.

Encerrando partes dessa história, deixo um conselho que repito sempre:

"Quando a vida te desafiar, dobre a aposta."

Por: Antonio Marcos de Souza, 25 de maio de 2023 às 16h31m

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