A vida é realmente muito rotativa.
Os que já não tinham mais lugar para ficar, a gente agradece ao divino pela saída honrosa: sem alarde, sem festim, sem confete, sem festa de despedida. Seria demais, não precisava de tanto. Viram fatos distantes, que às vezes nem para um “oi” casual servem mais.


Por: Antonio Marcos de Souza (AL)
A vida é realmente muito rotativa. A gente vê isso na prática: algumas pessoas começam a se afastar, a evitar, e no fundo sempre foi só questão de tempo. Elas dão sinais, e você apenas espera o momento. Já outras entram na nossa vida do nada e renovam aqueles espaços vazios, terrenos baldios, e começam uma arrumação gostosa — uma bagunça boa que reorganiza tudo por dentro.
Os que já não tinham mais lugar para ficar, a gente agradece ao divino pela saída honrosa: sem alarde, sem festim, sem confete, sem festa de despedida. Seria demais, não precisava de tanto. Viram fatos distantes, que às vezes nem para um “oi” casual servem mais.
Já os novos… ah, esses chegam com gestos que surpreendem. Um beijo na mão — algo tão incomum hoje, mas que sempre foi um cumprimento reservado a pessoas de grande respeito. Recebi isso dias atrás, e não foi o único. Senti uma felicidade que parecia uma banda de fanfarra tocando dentro de mim.
É também aquele abraço despretensioso, daquele tipo que pergunta: “Posso lhe dar um abraço?” E eu respondo como uma criança que se lambuza com o algodão-doce mais doce que existe. Receber um abraço de alguém desprovido de vergonha, de malícia, de dureza, é como receber um abraço da minha mãe. É assim que sinto — e posso sentir — porque meus sentimentos são meus, e ninguém tem nada a ver com isso.
Cada pessoa que chega até mim com alma limpa, sem ardor, sem limo, sem mofo, é como receber um abraço da minha mãe. Se meu coração sente isso, para mim é a coisa mais deliciosa que ele me diz: “Esse é o abraço que faltou.”
Às vezes a gente não precisa de muita coisa — principalmente eu. Quem dedicou um pouco do tempo para me conhecer sabe que não tenho ambições, nunca tive. Não penso grande, meus desejos são tão bobos que, se eu contasse, renderiam gargalhadas por semanas. Até eu, quando penso neles, digo a mim mesmo: “Mas que besteira.” Talvez seja por isso que às vezes fico tão triste.
Mas voltando à rotatividade: só tenho a agradecer. Ela tornou minha vida mais leve. Os caminhos ficaram mais limpos, mais largos, e os lugares abafados de outrora agora recebem a luz do sol.
Antonio Marcos de Souza
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Sobre este conteúdo
Autor: Antonio Marcos de Souza
Publicado: 13 de setembro de 2026 às 16:24
Atualizado: 13 de setembro de 2026 às 08:00
Fonte: apuração editorial e informações públicas disponíveis
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