Vida Breve
E se, de repente, o meu tempo imprevisto chegar?

E se, de repente, o meu tempo imprevisto chegar?
E se, de repente, o meu tempo e imprevisto chegar?
Quando eu me for, tudo aquilo que amo deixará de existir. Uma vida inteira de sonhos, projetos, desejos e vontades se tornará apenas números em uma estatística.
Minhas coisas serão repartidas. Minhas roupas, doadas para desconhecidos que nunca me conheceram. Meus objetos, escolhidos e levados sem que o valor que eu lhes dava tenha qualquer significado para quem ficar com eles.
Espero não ter que deixar minha filha, a Vida. Não querendo ser egoísta, prefiro que ela vá antes, porque assim eu ficaria mais aliviado.
Minha casa será esvaziada. Receberá novas pinturas, alguns cômodos reformados, cantos afetuosos totalmente modificados para receber o novo morador. Ele viverá outras histórias, apagando a vida que um dia habitou ali.
As pessoas que amo voltarão a rir, porque a vida segue — e precisa seguir. Aos poucos, esporadicamente, minha imagem ou até algo que eu disse será lembrado por alguém. Ironia da vida: aqueles que passaram anos sem se falar estarão lá, talvez chorando, e quem sabe descobrindo, no íntimo, que a distância foi apenas um abismo criado por capricho. Um abismo que já não fazia sentido, mas que era mantido porque nunca pensamos que a nossa vez poderia chegar agora.
Meus escritos, meus manuscritos, provavelmente serão jogados fora. Não encontrarão objetivo para quem fique com eles. Mas talvez o valor deles esteja apenas no ato de terem sido escritos.
Enfim, como já dizia o poeta: "Vida louca, vida breve.
Antonio Marcos de Souza






