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Vereadora mirim denuncia prejuízos e exige fim de turmas multisseriadas em Álvares Machado

Estudantes alertam para queda no desempenho escolar e sobrecarga de professores no modelo que une diferentes séries em uma única turma.

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Redação 360 Notícia
31 de maio de 2026 às 21:003 min
Vereadora mirim denuncia prejuízos e exige fim de turmas multisseriadas em Álvares Machado
Foto: Reprodução
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Estudantes da Câmara Mirim de Álvares Machado questionam a prefeitura sobre o uso de salas multisseriadas, apontando sobrecarga de professores e danos ao aprendizado. Requerimento pede cronograma para substituição do modelo por turmas seriadas.

A educação pública em Álvares Machado, no interior paulista, tornou-se o centro de um debate relevante conduzido pela própria juventude local. Durante a primeira sessão ordinária da legislatura mirim de 2026, os jovens parlamentares aprovaram um requerimento contundente que questiona a Prefeitura Municipal sobre a permanência das chamadas salas multisseriadas — modelo onde alunos de diferentes anos escolares compartilham a mesma sala e o mesmo professor. A iniciativa, liderada pela vereadora mirim Yasmin Novais Bezerra, representante da Escola José Molina, coloca em xeque a eficácia pedagógica desse sistema e exige um planejamento para a transição definitiva para turmas seriadas convencionais.

O conceito de turmas multisseriadas é, historicamente, uma solução adotada em municípios de pequeno porte ou em áreas rurais para garantir o acesso ao ensino quando não há quórum suficiente para fechar turmas individuais por série. No entanto, o texto aprovado pelos estudantes aponta que essa estrutura gera prejuízos acumulados ao longo dos anos. Segundo a argumentação apresentada no requerimento, o ritmo de desenvolvimento dos discentes é comprometido pela fragmentação do tempo escolar, uma vez que a atenção do educador precisa ser dividida entre currículos distintos simultaneamente. Essa dinâmica, de acordo com os jovens, reflete em indicadores de alfabetização e desempenho escolar inferiores aos registrados em modelos tradicionais.

Para o leitor entender a gravidade do cenário descrito pela Câmara Mirim, é necessário olhar para a realidade dos profissionais de educação. O documento destaca que a principal fragilidade pedagógica reside na sobrecarga exaustiva do corpo docente. Um professor em uma sala multisseriada não executa apenas uma aula; ele precisa planejar, mediar e corrigir conteúdos de níveis de complexidade totalmente diferentes ao mesmo tempo. Enquanto um grupo de alunos inicia o processo de alfabetização, outro pode estar em fase de consolidação de operações matemáticas complexas, o que exige um esforço cognitivo e logístico que frequentemente ultrapassa a capacidade humana disponível em uma jornada comum.

A sessão, que durou cerca de três horas no plenário da Câmara Municipal, mostrou que a preocupação dos jovens vai além da estrutura de sala de aula. Ao todo, foram aprovadas 23 proposituras, abrangendo temas como revitalização de áreas de lazer, melhorias em estradas rurais, sinalização de trânsito e até a implementação de hortas escolares. O evento contou com a presença do prefeito Chiquinho Boigues e do vice-prefeito Tom Vasconcelos, o que conferiu peso institucional às demandas. Embora o Executivo tenha dado sinalizações positivas para parte dos requerimentos, a administração municipal ainda não apresentou um cronograma formal para a extinção das salas multisseriadas, nem detalhou quais medidas administrativas estão em curso para viabilizar essa mudança estrutural.

O projeto Câmara Mirim, que envolve estudantes das escolas municipais José Molina, Mário Covas e do Colégio Gênesis Objetivo, serve como um espelho das necessidades reais da população captadas sob a ótica das novas gerações. A relevância desse movimento para o cenário brasileiro é significativa: em municípios com características similares a Álvares Machado, o fim da multisseriação é visto como um marco de modernização e equidade educacional. O desdobramento esperado é que as informações solicitadas pelos vereadores mirins forcem o Executivo a priorizar investimentos em infraestrutura e pessoal, garantindo que o ensino público local abandone métodos de "emergência" e adote um padrão de qualidade que não sobrecarregue professores nem limite o potencial acadêmico das crianças.

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