Entre Palavras

"A Morte: O Grande Nivelador"

Na história da humanidade, tantas vezes marcada pela insanidade e pela obcecação do poder, do orgulho e do ódio, escolhas de pessoas prejudicaram outras, destruíram nações inteiras, dizimaram vidas, tudo por causa de um desejo mimado de poder.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
15 de julho de 2026 às 02:102 min
"A Morte: O Grande Nivelador"
Foto: Reprodução
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Embora a foto de capa possa sugerir que a leitura de hoje será mórbida, garanto que não será. Também não vou falar sobre o quanto o mundo — digo, o mundo da humanidade — está nojento, fétido; isso é inegável. Nem das muitas feiuras dele quero tratar. O que trago aqui é uma reflexão.

Na história da humanidade, tantas vezes marcada pela insanidade e pela obcecação do poder, do orgulho e do ódio, escolhas de pessoas prejudicaram outras, destruíram nações inteiras, dizimaram vidas, tudo por causa de um desejo mimado de poder. Reis e rainhas, imperadores, plebeus, profetas, generais, “selvagens”; ricos de berço, ricos de herança ou por acidente da vida. Pobres, colonos, aborígenes, povos originários, honestos e desonestos, orgulhosos e humildes, fiéis e infiéis, fortes e fracos, jovens e velhos — todos que já habitaram e habitam aqui.

Há os que cobram posições, exigem pares e ímpares, sagazes em se colocar acima dos outros, governando, ditando regras, manobrando, manipulando para manter-se no centro. Diplomados, “destronados”, sem diploma algum; quadros e cursos pendurados em paredes, orgulhos e vaidosos que buscam levá-los cada vez mais alto, notórios, vistos, bem posicionados.

Mas há uma realidade triste e inevitável: algo sagaz e voraz, que sempre espreita ao lado, se agacha sem se importar com o tempo — a morte. Ela alcança todos, e os leva a uma condição de igualdade, colocando na mesma terra vencedores e derrotados, orgulhosos e humilhados, ricos e miseráveis, reis e plebeus, obstinados cegos e covardes vistos, todos juntos.

Enquanto isso, os que ficam ainda não aprenderam que tudo se desfaz. Brigam pelo que restou, dividem, rasgam, destroem como hienas devorando carcaça nas savanas africanas. Não importa o mausoléu de mármore, azulejo, cal ou terra crua. Não importa o caixão com alças folheadas a ouro. Tudo é bobagem diante da boca insaciável da terra, que engole tudo, a sepultura comum da humanidade, sim, comum.

Todos que um dia se acharam algo, ou que se enganaram acreditando que seriam eternos, estarão juntos de tantos outros que já foram: bons e ruins, cruéis e bondosos, invejosos e amorosos, frios e empáticos. Enterrados em covas rasas ou profundas, empilhados uns sobre os outros pela falta de espaço, reunidos em sacos cheios de ossos, alguns lançados ao mar e outros jamais encontrados — todos acabarão juntos no mesmo lugar. Sim, no mesmo nível.

Vaidade, onde estás? Orgulho, onde estarás? Empáfia, quem será tua amiga? Arrogância, quem te aconselhará? Amores continuarão amando? Odiados ainda estarão armados em trincheiras? O Nada. É justamente lá que se encerra toda essa feira, todo esse grande mercado. Lá, onde reina por enquanto — a morte: O grande Nivelador.

Antonio Marcos de Souza

#Sepultura#comum#nivelador#morte#vida

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