UP ratifica Vivian Mendes como candidata ao Governo de São Paulo em convenção na capital
Partido define Vivian Mendes como candidata ao governo estadual e confirma nomes para o Senado e Câmara Federal.

A Unidade Popular (UP) formalizou a candidatura de Vivian Mendes ao governo de São Paulo em convenção realizada no centro da capital, focando em uma chapa independente.
A Unidade Popular (UP) formalizou, em convenção estadual realizada na noite da última quarta-feira (22), a candidatura de Vivian Mendes ao Governo do Estado de São Paulo para o pleito de 2026. O evento político ocorreu na Ocupação Chaguinhas, situada no bairro da Bela Vista, região central da capital paulista. Com a decisão, a legenda consolida uma chapa majoritária de composição interna, sem coligações externas, reafirmando sua tática eleitoral de manter nomes orgânicos do partido nas principais frentes de disputa do maior colégio eleitoral do país.
Vivian Mendes, que encabeça a chapa, possui um histórico recente de participação ativa na política paulista. Em 2022, ela concorreu ao cargo de senadora, acumulando capital político dentro do campo das agremiações de esquerda. Além de seu papel como liderança partidária, a candidata ganhou notoriedade em dezembro de 2023, quando foi uma das manifestantes detidas durante a votação da privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Na ocasião, o episódio gerou amplo debate sobre o direito à manifestação e o policiamento no entorno de pautas sensíveis ao governo estadual.
Para o cargo de vice-governador, a Unidade Popular selecionou Marcelo Pereira, garantindo que o comando da coligação siga as diretrizes ideológicas estritas da sigla. A estratégia de lançar uma "chapa puro-sangue" visa concentrar o discurso nas causas defendidas pela UP, como o direito à moradia, a estatização de serviços essenciais e a oposição à política econômica vigente no estado. Durante a convenção, os oradores destacaram a importância de oferecer uma alternativa radical aos eleitores paulistas, focada nos interesses da classe trabalhadora e da população periférica.
Além da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, a convenção definiu os nomes que concorrerão às duas vagas paulistas no Senado Federal este ano. Maira de Souza e Marcio Alves foram os escolhidos para representar o partido na Câmara Alta do Poder Legislativo. O partido busca ampliar sua presença no cenário federal, apostando em candidatos que possuem atuação direta em movimentos sociais e frentes sindicais. A expectativa da cúpula da UP é que o engajamento desses nomes ajude a superar a cláusula de barreira e aumente o tempo de televisão e verbas partidárias nos próximos ciclos eleitorais.
No que tange ao Poder Legislativo federal, a UP planejou uma nominata composta por cinco candidatos à Câmara dos Deputados. Entre os destaques está Ricardo Senese, que concorreu à Prefeitura de São Paulo no pleito de 2024. Assim como a candidata ao governo, Senese também esteve envolvido nos protestos contra a privatização da Sabesp e foi detido pelas forças de segurança durante o tumulto na Alesp. A inclusão de figuras conhecidas por atos de militância direta demonstra a aposta da sigla em um discurso de enfrentamento e mobilização popular para atrair o eleitorado mais jovem e os setores descontentes com a política tradicional.
Os próximos passos da campanha agora envolvem o registro oficial das candidaturas junto ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Com a oficialização dos nomes, o partido inicia a fase de planejamento logístico e arrecadação de fundos para as atividades de rua. Mesmo com recursos financeiros limitados em comparação aos grandes blocos partidários, a Unidade Popular pretende ocupar os espaços públicos e as redes sociais para divulgar seu programa de governo e tentar romper o atual cenário de polarização entre os grupos políticos tradicionais que dominam o estado de São Paulo há décadas.

