Uiramutã retoma acesso terrestre após colapso de ponte causado por temporais em Roraima
Após destruição de ponte pelo igarapé Cambaru, Governo de Roraima improvisa "ponte molhada" para garantir abastecimento em Uiramutã.

A conexão terrestre com Uiramutã, em Roraima, foi restabelecida por meio de uma rota provisória após chuvas destruírem a ponte principal. O município, que possui a maior população indígena do país, enfrenta estado de emergência e monitoramento constante da Defesa Civil.
Após um breve período de isolamento causado pelo rigor do período chuvoso na Região Norte, o município de Uiramutã, situado no extremo Norte de Roraima, conseguiu restabelecer a conexão terrestre com o restante do estado. A interrupção do tráfego ocorreu no último sábado, quando a força das águas do igarapé Cambaru comprometeu severamente a estrutura da ponte principal, arrastando parte da base e impedindo a circulação de veículos. A resposta rápida das autoridades estaduais permitiu a abertura de uma via alternativa já no domingo (31), garantindo o fluxo básico de suprimentos e o deslocamento da população local.
A solução imediata encontrada pelo Governo de Roraima envolveu a utilização de uma estrutura conhecida tecnicamente como "ponte molhada". Localizada na rodovia estadual RR-171, essa rota provisória fica posicionada em um nível altimétrico inferior à ponte original e é projetada para suportar a passagem de água sobre sua superfície em condições controladas. Entretanto, a eficácia desse desvio permanece sob vigilância constante. Segundo Julimar Sena, chefe da Defesa Civil de Uiramutã, a "ponte molhada" pode ser interditada a qualquer momento caso o volume de chuvas se intensifique e o nível do igarapé suba além do limite de segurança para a travessia de veículos.
O cenário em Uiramutã é emblemático por se tratar do município com a maior proporção de população indígena em todo o território nacional. A cidade é um dos sete municípios roraimenses que decretaram situação de emergência em função das tempestades severas que marcam o atual "inverno" amazônico. Estima-se que aproximadamente 16 mil pessoas tenham sido diretamente afetadas pelos transtornos climáticos na região, sendo que a maioria reside em comunidades tradicionais que dependem quase exclusivamente da RR-171 para acesso a serviços de saúde, educação e escoamento da produção agrícola.
A crise logística não se restringe apenas a Uiramutã. Dados da Defesa Civil Estadual indicam que a operação "Apoio Imediato" foi deflagrada para tentar conter os danos em diversas frentes. Atualmente, cerca de 47 mil pessoas em todo o estado de Roraima sofrem com as consequências das chuvas torrenciais, que incluem alagamentos, quedas de árvores e obstrução de vicinais. O município de Normandia aparece ao lado de Uiramutã como uma das áreas mais críticas, também contabilizando cerca de 16 mil cidadãos impactados. A Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf) mantém equipes de prontidão nas estradas para realizar reparos emergenciais em outros trechos vulneráveis.
A importância da manutenção dessa rota é vital para as operações de resgate e assistência social. Gregório Almeida Júnior, titular da Seinf, ressaltou que a prioridade técnica no momento é a identificação de pontos com risco de colapso estrutural para evitar novos isolamentos. Para o leitor brasileiro, o caso de Uiramutã exemplifica a fragilidade da infraestrutura no interior da Amazônia e a dependência crítica de poucas vias de acesso. A continuidade das chuvas previstas para os próximos dias coloca as equipes de engenharia em alerta máximo, uma vez que a solução paliativa da ponte molhada é apenas um recurso temporário até que a reconstrução definitiva da ponte sobre o igarapé Cambaru possa ser iniciada com segurança técnica.






