UFJF, UFV e UFSJ registram queda em ranking das melhores universidades do mundo
Levantamento internacional aponta que instituições de Minas Gerais e do restante do país sofrem com baixo financiamento e concorrência asiática.

O levantamento internacional CWUR 2026 aponta que 45 das 52 universidades brasileiras perderam posições no ranking mundial, incluindo UFJF, UFV e UFSJ. O baixo financiamento histórico e o avanço das instituições asiáticas são os principais motivos.
O cenário do ensino superior brasileiro enfrenta um momento de alerta com a divulgação dos resultados do Center for World University Rankings (CWUR) para o biênio 2025-2026. Das 52 instituições de ensino do Brasil presentes na lista das 2.000 melhores do mundo, 45 apresentaram queda em suas posições globais. Entre as afetadas, destacam-se importantes centros de Minas Gerais, como a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ). O fenômeno evidencia um descompasso crescente entre as instituições nacionais e a aceleração tecnológica e financeira de universidades internacionais, especialmente no continente asiático.
Historicamente, as universidades públicas brasileiras têm sido o motor da ciência e tecnologia no país, sendo responsáveis por mais de 90% da produção científica nacional. No entanto, o CWUR aponta que o declínio generalizado não é uma exclusividade de uma única instituição, mas sim um reflexo estrutural. A queda no desempenho em pesquisa, principal pilar de avaliação do ranking, está diretamente atrelada à redução sistemática de recursos destinados ao fomento científico e à manutenção da infraestrutura de laboratórios. Enquanto o Brasil atravessou períodos de contingenciamento orçamental severo, países como China, Coreia do Sul e Cingapura investiram massivamente em inovação, empurrando as instituições brasileiras para baixo na tabela global pela pura força da competitividade externa.
A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que ocupa a 1.090ª posição mundial, defendeu-se alegando que o resultado atual deve ser lido como um cenário de estabilidade. Segundo a instituição, em um universo de mais de 20 mil universidades analisadas, uma flutuação de menos de 20 posições não indica perda de qualidade, mas sim a dificuldade de acompanhar o ritmo de crescimento de sistemas universitários que recebem aportes financeiros muito superiores aos brasileiros. A UFJF destacou ainda que se mantém no seleto grupo das 5,1% melhores instituições do planeta, sustentada por bons indicadores de empregabilidade de seus ex-alunos e pelo impacto de suas publicações acadêmicas.
No caso da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), a queda foi mais acentuada, passando da 1.385ª para a 1.479ª colocação. A reitoria da UFSJ atribuiu essa variação às restrições orçamentárias enfrentadas pelo sistema federal de ensino entre os anos de 2016 e 2022, período em que o financiamento para bolsas e infraestrutura básica sofreu cortes drásticos. A instituição acredita que a recuperação dos recursos de fomento iniciada recentemente levará alguns anos para ser refletida nos índices internacionais, uma vez que a produção científica possui um tempo de maturação natural. Já a UFV, apesar do recuo global, conseguiu manter seu prestígio regional ao figurar como a segunda melhor universidade de Minas Gerais, perdendo apenas para a UFMG.
Especialistas e o próprio presidente do CWUR, Dr. Nadim Mahassen, alertam que a perda de espaço nos rankings mundiais não é apenas uma questão de prestígio acadêmico, mas um problema de desenvolvimento econômico a longo prazo. O declínio na qualidade da pesquisa prejudica a atração de investimentos internacionais e a capacidade do país de resolver problemas internos através da ciência aplicada. A tendência é que, sem uma política de Estado perene que vá além das trocas de gestão, o abismo entre o ensino superior brasileiro e as potências globais continue a aumentar. O próximo ciclo de avaliações será decisivo para entender se o Brasil conseguirá estancar a queda ou se as universidades brasileiras se tornarão coadjuvantes em um cenário acadêmico cada vez mais dominado pela Ásia.






