Trump assina decreto para supervisão de IA por segurança nacional
Novo decreto estabelece avaliação governamental para modelos avançados de IA visando proteger infraestruturas críticas após riscos detectados em testes.

O presidente Donald Trump assinou um decreto que permite ao governo dos EUA avaliar modelos de IA antes do lançamento. A medida, tomada após o alerta de segurança do modelo Mythos da Anthropic, busca proteger infraestruturas críticas contra falhas digitais e ataques externos.
Em um movimento estratégico que redefine a política tecnológica de Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (2) um decreto executivo focado na segurança cibernética e na supervisão de modelos avançados de inteligência artificial (IA). A medida estabelece que o governo federal tenha acesso antecipado a tecnologias de ponta antes de seus lançamentos comerciais, visando mitigar riscos sistêmicos à infraestrutura crítica do país. O anúncio marca uma guinada significativa na postura da atual administração, que anteriormente demonstrava forte resistência a qualquer forma de regulação do setor técnico sob o argumento de que restrições poderiam atrasar o progresso americano frente à concorrência global, especialmente em relação à China.
O pano de fundo para essa mudança de direção reside na crescente preocupação com a capacidade ofensiva dos novos modelos de linguagem e processamento de dados. O estopim para o endurecimento da vigilância governamental foi o caso do modelo "Mythos", desenvolvido pela Anthropic. No início deste ano, testes internos revelaram que a ferramenta possuía uma habilidade alarmante para identificar e explorar vulnerabilidades críticas em sistemas digitais complexos, incluindo redes bancárias, bases de dados governamentais e infraestruturas hospitalares. Diante do potencial destrutivo caso a tecnologia caísse em mãos erradas, a própria empresa decidiu suspender o lançamento público, servindo como um alerta para as autoridades sobre os perigos da IA descontrolada.
A estrutura do novo decreto foi fruto de intensas negociações com gigantes do Vale do Silício, incluindo Google, OpenAI e a própria Anthropic. O acordo prevê que essas empresas submetam seus modelos de forma voluntária a uma rigorosa avaliação de segurança por agências federais antes que cheguem ao mercado consumidor. É importante notar que o texto da ordem executiva enfatiza a natureza não obrigatória de um controle prévio estatal absoluto, buscando um equilíbrio fino entre segurança nacional e o dinamismo do livre mercado. Na prática, a medida assemelha-se a protocolos adotados na gestão anterior de Joe Biden, que Trump chegou a revogar criticando o que chamava de excessos burocráticos que sufocavam a inovação.
Um dos pilares da nova política é a criação de um centro de coordenação voltado especificamente para a segurança digital em inteligência artificial. Este organismo contará com o esforço conjunto do Departamento do Tesouro, da Agência de Segurança Nacional (NSA) e da Agência de Segurança de Infraestrutura e Cibersegurança (CISA). O objetivo primordial desse grupo será o mapeamento constante de falhas em sistemas vitais e a priorização de correções imediatas. Para as big techs, como destacou Kent Walker, executivo do Google, a iniciativa é vista como um avanço para fortalecer o ecossistema digital e oferecer ferramentas robustas para repelir ataques de atores maliciosos no ciberespaço, criando uma camada extra de proteção sobre as redes domésticas.
Apesar da aprovação, o processo de finalização do decreto foi marcado por debates acalorados nos bastidores da Casa Branca. Uma versão prévia do documento chegou a ser descartada por Trump dias antes da assinatura oficial, após pressões de conselheiros como David Sacks, que alertavam para o risco de perder a dianteira tecnológica para Pequim. O ajuste final que selou o acordo envolveu a redução drástica do prazo para que o governo examine os modelos voluntários: o período caiu de 90 para apenas 30 dias. Esta alteração reflete a urgência do governo em manter a competitividade, sob o lema de que "cada dia conta" na corrida armamentista tecnológica. Para o Brasil e outros mercados emergentes, essa movimentação sinaliza que a segurança da IA deixará de ser apenas uma questão técnica para se consolidar como um pilar central da geopolítica e da soberania estatal nos próximos anos.






