Trilheira é resgatada em operação de 11 horas no Parque do Itacolomi em Ouro Preto
Operação de salvamento durou mais de 11 horas e mobilizou bombeiros e voluntários sob neblina densa em área de difícil acesso.

Uma mulher de 43 anos foi resgatada após passar mais de 11 horas em uma área de difícil acesso no Parque do Itacolomi, em Ouro Preto. Devido à neblina intensa, o socorro teve que ser feito inteiramente por terra em uma operação que atravessou a madrugada.
Uma complexa operação de salvamento mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais durante o último fim de semana no Parque Estadual do Itacolomi, em Ouro Preto. Uma trilheira de 43 anos precisou ser resgatada após sofrer um acidente em uma das áreas mais elevadas da unidade de conservação, situada na Região Central do estado. O incidente, que teve início na tarde de sábado (30), só foi totalmente concluído durante a madrugada de domingo, exigindo mais de 11 horas de trabalho ininterrupto sob condições climáticas adversas e em terreno extremamente acidentado.
A vítima realizava a descida da trilha quando sofreu uma queda a aproximadamente um quilômetro do Pico do Itacolomi, um dos pontos turísticos mais emblemáticos da região mineira. Com a queda, a mulher apresentou uma forte suspeita de luxação no tornozelo esquerdo e relatou dores agudas em toda a perna, o que impossibilitou qualquer tentativa de locomoção por meios próprios. O local onde ela se encontrava é caracterizado por subidas íngremes e solo irregular, fatores que dificultam significativamente o acesso de equipes de emergência e o transporte de pacientes imobilizados.
As condições meteorológicas foram um obstáculo extra para os militares e voluntários envolvidos na missão. A presença de uma densa neblina e a baixa visibilidade no topo da serra impediram o acionamento de suporte aéreo por helicóptero, uma ferramenta comum em resgates de montanha para agilizar a transferência hospitalar. Sem a possibilidade de voo, a estratégia adotada foi o resgate puramente terrestre. Ao todo, a guarnição dos bombeiros contou com o apoio logístico e físico do marido da vítima, três profissionais de uma escola de educação física e dois guias florestais que conhecem profundamente as trilhas do parque.
Para alcançar o local do acidente, os socorristas precisaram percorrer cerca de seis quilômetros a pé, carregando equipamentos de primeiros socorros e imobilização. Uma vez estabelecido o contato com a vítima, foram realizados os procedimentos protocolares: o tornozelo foi estabilizado e foram aplicadas técnicas para prevenir a hipotermia, comum em altitudes elevadas durante a madrugada. A paciente foi então acomodada em uma maca especial, desenvolvida especificamente para terrenos montanhosos e desníveis acentuados, iniciando o penoso trajeto de retorno de mais seis quilômetros.
A etapa final do resgate exigiu cautela redobrada e esforço físico exaustivo da equipe. O caminho de descida apresentava trechos de alto risco, incluindo passagens próximas a precipícios e rochas escorregadias devido à umidade. Cada metro percorrido demandava coordenação coletiva para garantir que a maca permanecesse estável e a vítima segura. Somente após horas de caminhada sob a escuridão da noite é que o grupo alcançou a base e a mulher pôde ser encaminhada, consciente, para uma unidade hospitalar da região. Embora o estado de saúde detalhado não tenha sido divulgado pela equipe médica, a ação foi considerada bem-sucedida dada a gravidade do cenário geográfico.
Este incidente serve como um alerta importante para turistas e praticantes de esportes de aventura em Minas Gerais. O Parque Estadual do Itacolomi é conhecido por sua beleza cênica, mas também por oferecer trilhas que exigem preparo físico e equipamentos adequados. Autoridades recomendam que os visitantes sempre verifiquem a previsão do tempo antes de subirem o pico, utilizem calçados apropriados para montanhismo e, preferencialmente, estejam acompanhados por guias credenciados. O tempo de resposta em áreas de preservação pode ser longo, e a preparação individual é fundamental para minimizar riscos em situações de emergência.






