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Tragédia na Pavuna: Menino morre após tiro em quadra; polícia aponta festa de traficante como origem

Bento, de 12 anos, avisou que foi atingido antes de cair, mas colegas acreditaram tratar-se de uma piada por conta de seu jeito alegre.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 06:003 min
Tragédia na Pavuna: Menino morre após tiro em quadra; polícia aponta festa de traficante como origem
Foto: Reprodução
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A morte do menino Bento Costa Petillo Bezze, atingido por uma bala perdida em uma quadra na Pavuna, gera comoção. Amigos acharam que o aviso da vítima era uma brincadeira. Polícia Civil investiga se tiro partiu de comemoração de traficante na região.

A violência urbana no Rio de Janeiro vitimou mais uma criança de forma brutal e trágica durante o último final de semana. Bento Costa Petillo Bezze, de apenas 12 anos, perdeu a vida após ser atingido por uma bala perdida enquanto brincava na quadra de esportes do condomínio onde residia, na Rua Capitão Gouveia, no bairro da Pavuna, Zona Norte da capital fluminense. O episódio, ocorrido na tarde de domingo (31), chocou os moradores pela crueza dos fatos: o menino estava acompanhado de amigos e de seu irmão mais velho, de 13 anos, quando foi subitamente alvejado no peito. O caso levanta novamente o debate sobre a insegurança crônica que atinge as áreas residenciais localizadas próximas a focos de criminalidade e o impacto psicológico devastador sobre crianças que testemunham tais cenas de horror.

De acordo com relatos emocionados de vizinhos e testemunhas que acompanhavam o momento do lazer, a reação inicial dos presentes foi de incredulidade. Jacqueline Gomes, vizinha do garoto, relatou em entrevista que Bento chegou a notar o ferimento e tentou alertar as outras crianças, mas sua personalidade alegre e brincalhona fez com que os amigos demorassem a perceber a gravidade da situação. Ao sentar-se ao lado de colegas e sussurrar a palavra "bala", os menores acreditaram tratar-se de uma encenação ou piada. Apenas quando o menino começou a desfalecer e a cair no chão é que o desespero tomou conta do local. O irmão da vítima presenciou todo o declínio físico de Bento, que foi rapidamente socorrido para uma unidade de pronto atendimento em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, mas infelizmente não resistiu aos danos provocados pelo projétil.

As investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) seguem uma linha específica e alarmante. A principal suspeita das autoridades é de que o tiro fatal tenha partido de um evento festivo ocorrido na comunidade da Quitanda, também na Pavuna. Informações coletadas pela polícia indicam que Douglas Oliveira dos Santos, traficante conhecido pelo apelido de "Palmeiras" e apontado como chefe do crime na região, estava comemorando seu aniversário naquela tarde. É uma prática comum, embora criminosa e perigosa, que membros de quadrilhas efetuem disparos de fuzis e pistolas para o alto como forma de celebração ou demonstração de poder bélico em datas festivas dentro das favelas controladas pelo crime organizado. A comunidade em questão fica a aproximadamente dois quilômetros de distância do prédio onde Bento foi morto, distância que um projétil de alta energia pode percorrer facilmente mantendo letalidade.

Este trágico acontecimento expõe um problema sistêmico enfrentado pelos moradores do subúrbio carioca: o confinamento em suas próprias residências e áreas de lazer "condominiais", que deveriam ser seguras, mas não oferecem proteção real contra o poderio de armas de guerra. A morte de Bento interrompe uma infância de forma precoce e deixa marcas indeléveis em seu irmão e nas outras crianças que tentaram, em vão, fazer com que ele "parasse com a brincadeira" antes de entenderem que ele estava morrendo. O luto coletivo tomou conta do condomínio, onde a segurança das quadras esportivas agora é vista com temor. O corpo do menino será velado e sepultado nesta terça-feira (2), no Cemitério de Inhaúma, sob forte clamor por justiça e por políticas públicas que contenham a circulação desenfreada de armamento pesado.

Para o futuro imediato, espera-se que a Polícia Civil utilize perícia balística para tentar confirmar a origem do disparo, embora o calibre e a trajetória sejam difíceis de rastrear sem a arma original ou o local exato da origem. A segurança pública do Rio de Janeiro enfrenta o desafio de controlar perímetros onde a população civil está constantemente entre o fogo cruzado ou é vítima de disparos erráticos originados por confrontos ou exibições de força do tráfico de drogas. Enquanto as investigações prosseguem para responsabilizar os envolvidos na "festa" armada, a família de Bento tenta lidar com a ausência de um jovem descrito por todos como alguém cheio de vida, cuja última palavra foi um aviso de socorro confundido pelo riso da inocência infantil.

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