Economia

Tarifa de 25% dos EUA ameaça aço e suco de laranja brasileiro; veja o que muda

Investigação comercial americana alega práticas desleais e pode sobretaxar 21% das vendas brasileiras; aço e suco de frutas estão entre os mais afetados.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 04:003 min
Tarifa de 25% dos EUA ameaça aço e suco de laranja brasileiro; veja o que muda
Foto: Reprodução
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Nova proposta de taxação dos EUA de 25% ameaça importantes setores da economia brasileira, como siderurgia e agronegócio. Apesar de isenções para petróleo e café, produtos processados como aço e suco de laranja podem sofrer duro impacto comercial em 2026.

O cenário do comércio exterior brasileiro enfrenta um novo e severo desafio com o anúncio de uma proposta de taxação de 25% por parte do governo dos Estados Unidos. A medida, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, surge após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que alega a existência de práticas econômicas "irrazoáveis" por parte do Brasil. Embora Washington tenha apresentado uma lista de isenções para proteger insumos cruciais como petróleo, café e aeronaves, uma parcela significativa da indústria nacional, liderada pelos setores de siderurgia e agronegócio processado, permanece sob risco iminente de sobretaxação.

O contexto de tais restrições comerciais remete a uma escalada de tensões diplomáticas e econômicas. De acordo com o governo norte-americano, a investigação apontou que o Brasil adota políticas que prejudicam a competitividade de empresas dos EUA. Entre os pontos citados como problemáticos estão o sistema de pagamentos PIX, questões relacionadas ao desmatamento ilegal e fragilidades na proteção de propriedade intelectual (pirataria). Na visão de analistas, o uso da Seção 301 é uma ferramenta agressiva de pressão, pois foca em "punições" diretas a países que, na ótica americana, criam barreiras injustas ao seu mercado. Essa nova proposta de 25% é vista como ainda mais drástica do que o "tarifaço" genérico anteriormente discutido, pois incide de forma profunda em setores estratégicos da balança comercial brasileira.

Os detalhes dos produtos afetados revelam a vulnerabilidade da indústria de transformação do Brasil. O aço é, sem dúvida, o item mais exposto: produtos semiacabados de ferro e aço movimentaram mais de US$ 3,3 bilhões em 2025, representando quase 9% de tudo o que o Brasil vende para os americanos. Diferente de outros minérios brutos, esses produtos processados não foram incluídos na lista de isenções. O mesmo ocorre com o suco de laranja e outras bebidas vegetais, que somam US$ 1,6 bilhão em exportações. Enquanto a fruta fresca ou congelada foi poupada, o produto industrializado — que agrega valor e gera mais empregos de qualidade no Brasil — poderá ser taxado em um quarto de seu valor, o que reduz drasticamente sua competitividade nas prateleiras dos Estados Unidos.

Além do aço e do suco, outros segmentos importantes sentiram o impacto negativo da ausência na lista de isenções. Equipamentos de construção civil, máquinas elétricas, pneus de borracha (com exceção dos de aviação), cal e cimento estão na zona de perigo. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estima que cerca de 21% de todas as exportações brasileiras para o território americano podem ser atingidas pela nova tarifação. O ministro Márcio Elias Rosa ressaltou que, somando-se às taxas que já vigoram sob a Seção 232 (que foca em segurança nacional para aço e alumínio), o cerco comercial está se fechando cada vez mais, restando apenas pouco mais da metade das exportações sem algum tipo de sobretaxa agressiva.

Para o leitor brasileiro, os desdobramentos dessa medida podem ser sentidos tanto na macroeconomia quanto no dia a dia. Uma queda nas exportações de produtos de alto valor agregado, como máquinas e aço processado, pressiona a balança comercial e pode desestimular investimentos no parque industrial nacional. Por outro lado, o governo americano manteve isenções em áreas onde sua própria economia é dependente, como em celulose, fertilizantes e carne bovina, demonstrando uma estratégia pragmática de proteger o suprimento interno enquanto taxa itens competitivos. O processo, contudo, ainda não é definitivo. Estão previstas audiências públicas e um período de consultas que se estenderá até julho de 2026, quando a decisão final será selada. Até lá, a diplomacia brasileira e o setor privado devem atuar intensamente para tentar ampliar a lista de exceções e evitar um prejuízo bilionário ao PIB do país.

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