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Suspeito de integrar esquema hacker de Daniel Vorcaro é preso em Dubai e trazido a SP

Investigado por ataques cibernéticos a serviço de ex-banqueiro foi capturado em cooperação com a Interpol e deportado ao Brasil neste sábado.

Redação 360 Notícia
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17 de maio de 2026 às 03:003 min
Suspeito de integrar esquema hacker de Daniel Vorcaro é preso em Dubai e trazido a SP
Foto: Reprodução
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Victor Lima Sedlmaier, investigado por ataques cibernéticos no esquema de Daniel Vorcaro, foi preso em Dubai e deportado ao Brasil. A ação conjunta entre PF e Interpol ocorreu após o suspeito fugir da Operação Compliance Zero; defesa nega que ele estivesse foragido.

Neste sábado (16), o cenário da cibersegurança e do direito penal brasileiro registrou um desdobramento significativo com a prisão de Victor Lima Sedlmaier, apontado pelas autoridades como um dos operadores centrais de um complexo esquema de crimes digitais. Detido em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, Sedlmaier foi deportado imediatamente para o Brasil, desembarcando no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A captura foi resultado de uma intensa coordenação entre a Polícia Federal (PF) e a Interpol, após o investigado não ter sido localizado durante a deflagração da 6ª fase da Operação Compliance Zero, ocorrida na última quinta-feira. O mandado de prisão preventiva que fundamentou a ação foi expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), evidenciando a gravidade e o alcance nacional das investigações em curso.

De acordo com o inquérito conduzido pela Polícia Federal, Victor Sedlmaier integraria o grupo autodenominado "Os Meninos", um núcleo especializado em ataques cibernéticos, extração de dados e monitoramento ilícito de desafetos e autoridades. O grupo atuaria, segundo a tese acusatória, para satisfazer os interesses estratégicos de Daniel Vorcaro, empresário e ex-proprietário do Banco Master. A investigação sugere que a estrutura operava como uma espécie de braço tecnológico clandestino, utilizando técnicas avançadas de invasão para obter vantagens em negociações comerciais ou para desestabilizar opositores do esquema. O papel de Sedlmaier seria estratégico, uma vez que ele é considerado o braço direito de David Henrique Alves, apontado como o líder técnico da organização e que permanece foragido no exterior.

As evidências reunidas até o momento indicam que Sedlmaier não apenas participava das operações digitais, mas também atuava na logística de proteção do grupo. A Polícia Federal sustenta que ele teria auxiliado na limpeza e remoção de provas de um imóvel utilizado como base pela organização, logo após as primeiras investidas policiais. Além disso, pesa contra ele a acusação de uso de documentos falsos; durante as diligências, foi identificada uma identidade que portava sua fotografia, mas continha o nome de um terceiro, tática frequentemente utilizada para burlar monitoramentos de fronteira e facilitar a movimentação internacional de indivíduos sob investigação.

A defesa do acusado reagiu prontamente à prisão e à forma como a deportação foi conduzida. Em nota oficial, os advogados de Sedlmaier refutam veementemente a classificação de que ele estaria foragido. Segundo os defensores, a viagem aos Emirados Árabes Unidos ocorreu por meios legais, com documentação validada pelos órgãos competentes de controle migratório. A defesa enfatiza que o cliente sempre demonstrou disposição para colaborar com o Poder Judiciário, tendo prestado depoimentos em fases anteriores da operação. O texto da nota também levanta críticas ao que chamam de restrições ao direito de defesa, pontuando que o acesso integral aos autos do processo ainda não teria sido facultado, o que impediria o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa diante das graves acusações de crimes cibernéticos.

Com a chegada de Sedlmaier ao Brasil e sua custódia garantida em São Paulo, os próximos passos da Operação Compliance Zero devem focar na análise do material apreendido e na tentativa de localização de David Henrique Alves. A Polícia Federal acredita que o depoimento de Victor possa fornecer detalhes cruciais sobre o funcionamento da hierarquia comandada por Daniel Vorcaro e identificar outros possíveis clientes ou alvos do grupo "Os Meninos". O caso reforça o aumento da cooperação internacional do Brasil com países do Oriente Médio para o combate a crimes de colarinho branco e delitos tecnológicos, sinalizando que a distância geográfica deixou de ser uma barreira para o cumprimento de ordens judiciais expedidas por tribunais superiores brasileiros.

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