Suspeita de intoxicação alimentar afeta dezenas de alunos em colégio estadual de Formosa
Estudantes do Centro de Ensino em Período Integral apresentaram sintomas após refeição; Vigilância Sanitária investiga o caso.

Mais de 100 alunos de um colégio estadual em Formosa passam mal após almoço, com relatos de desmaios e internações. A suspeita recai sobre o escondidinho de carne servido no local, levando a Vigilância Sanitária a investigar a unidade de ensino.
Um incidente grave de saúde pública mobilizou a comunidade escolar e as autoridades sanitárias na cidade de Formosa, situada no Entorno do Distrito Federal. Dezenas de estudantes matriculados no Centro de Ensino em Período Integral (CEPI) Professor Sérgio Fayad Generoso apresentaram sintomas severos de mal-estar após consumirem a merenda oferecida pela instituição na última quinta-feira (28). O caso, que ganhou repercussão após relatos dramáticos de familiares, levanta um alerta sobre os protocolos de segurança alimentar em unidades de ensino que operam em regime de tempo integral, onde os alunos realizam todas as principais refeições do dia.
O episódio veio à tona com maior intensidade no início desta semana, quando vídeos e depoimentos de parentes começaram a circular, descrevendo o pânico entre as famílias. Weslei Lopes de Oliveira, mestre de obras e tio de duas vítimas, relatou que o cenário foi alarmante. Segundo ele, uma de suas sobrinhas chegou a perder os sentidos e quase sofreu uma queda em uma das escadarias da unidade escolar, enquanto a outra precisou de internação hospitalar imediata para monitoramento clínico. O relato de Oliveira sugere que o número de crianças afetadas pode ultrapassar a marca de 100 alunos, evidenciando a escala da possível contaminação alimentar dentro do ambiente escolar.
A cronologia dos fatos indica que os sintomas começaram a se manifestar pouco tempo depois do almoço servido na quinta-feira. O cardápio do dia incluía alimentos básicos da dieta escolar goiana: arroz, feijão de caldo, salada de repolho com tomate, laranja e o prato principal sob suspeita — um escondidinho de carne moída. Entre a tarde do dia do ocorrido e o último domingo (31), um fluxo contínuo de estudantes buscou atendimento médico no Hospital Estadual de Formosa (HEF). A diversidade do período de incubação dos sintomas é comum em casos de intoxicação alimentar bacteriana, o que explica por que novos casos continuaram a surgir ao longo de todo o intervalo do final de semana.
Diante da gravidade da situação, a direção do colégio informou que já deu início aos procedimentos de mitigação de danos e investigação técnica. Uma limpeza profunda e higienização geral das dependências da cozinha e do refeitório foram realizadas preventivamente. Além disso, técnicos da Vigilância Sanitária estiveram no local para realizar inspeções e possivelmente coletar amostras dos insumos utilizados na preparação das refeições. Para o leitor brasileiro, este caso ressalta a importância da gestão rigorosa do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que deve garantir não apenas a nutrição, mas a integridade biológica dos alimentos servidos a milhões de jovens diariamente no país.
Até o momento, a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc) não emitiu uma nota oficial detalhando as causas específicas da contaminação ou as medidas administrativas que serão tomadas em relação aos fornecedores de alimentos. A expectativa agora gira em torno dos laudos laboratoriais que devem confirmar o agente causador do surto — seja por manuseio inadequado, armazenamento fora da temperatura ideal ou contaminação na origem dos produtos. O caso de Formosa serve como um lembrete crítico para que outras prefeituras e governos estaduais revisem seus processos de fiscalização em cozinhas industriais escolares, evitando que instituições de ensino se tornem ambientes de risco para a saúde dos jovens.






