Solidariedade e futebol: Troca de figurinhas da Copa une crianças em tratamento oncológico na PB
Um álbum da Copa do Mundo de 2026 torna-se ferramenta de humanização e distração para crianças internadas na Paraíba.

Iniciativa idealizada por paciente de 8 anos transforma a ala oncológica do Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, em um ponto de interatividade. Crianças trocam figurinhas da Copa do Mundo 2026, unindo diversão ao tratamento contra o câncer.
O ambiente hospitalar, frequentemente associado a protocolos rígidos e uma rotina de cuidados intensivos, ganhou novos contornos na ala infantil do Hospital Napoleão Laureano, localizado em João Pessoa, na Paraíba. No centro dessa transformação está um álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026, que se tornou o catalisador de momentos de alegria e socialização entre crianças que lutam contra o câncer. A iniciativa, que transforma corredores clínicos em espaços de interação lúdica, demonstra como atividades simples podem exercer um impacto profundo no bem-estar emocional de pacientes em tratamento oncológico de longa permanência.
A ideia de levar a febre do colecionismo para dentro da unidade de saúde partiu de Lucas Emanuel, um garoto de apenas 8 anos que está internado desde o final de 2025 para tratar um linfoma. Sentindo a falta da vida escolar e das interações sociais típicas da infância, Lucas observou o movimento de trocas de cromos que ocorrem em centros comerciais da capital paraibana e decidiu que o hospital também poderia ser um ponto de encontro. O desejo do menino era garantir que crianças impedidas de frequentar locais públicos devido à imunidade baixa não ficassem de fora da tradição esportiva que mobiliza o país inteiro a cada ciclo de quatro anos.
A implementação do projeto contou com o suporte integral da equipe médica e da Fundação Napoleão Laureano. Para garantir a segurança dos pequenos colecionadores, as trocas ocorrem na brinquedoteca da unidade sob regras sanitárias rigorosas, incluindo o uso obrigatório de máscaras e aventais descartáveis. Esse cuidado é necessário para proteger os pacientes, cujos sistemas imunológicos estão frequentemente comprometidos pela quimioterapia e outros tratamentos. O ambiente controlado permite que as crianças esqueçam, ao menos por algumas horas, as agulhas e os medicamentos, focando na busca por figurinhas raras e no preenchimento das páginas do álbum.
Profissionais de saúde e especialistas em humanização hospitalar ressaltam que o lúdico não é apenas entretenimento, mas uma ferramenta terapêutica essencial. Atividades que promovem a interatividade ajudam a reduzir substancialmente os níveis de estresse e ansiedade, comuns em crianças que enfrentam internações prolongadas. De acordo com a dentista Cristiane Maia, que auxilia na organização, o apelo de Lucas foi tocante: ele desejava que a sociedade se lembrasse de que as crianças hospitalizadas também são torcedoras e apaixonadas por futebol, merecendo as mesmas oportunidades de lazer que seus pares saudáveis. O envolvimento da equipe fortalece o vínculo de confiança entre médico e paciente, facilitando a aceitação dos processos de cura.
Diante do sucesso da iniciativa, a administração do Hospital Napoleão Laureano e a fundação mantenedora decidiram ampliar o alcance da ação através de uma campanha de doações. Marcelo Lucena, presidente da Fundação, convocou a população paraibana a participar de forma ativa, enviando álbuns e figurinhas excedentes para o hospital. A proposta é criar um estoque que garanta que todos os novos pacientes admitidos na ala pediátrica possam começar sua coleção de imediato. A mobilização serve como um lembrete para a importância do engajamento comunitário em causas sociais, mostrando que pequenos gestos de solidariedade podem ser tão reconfortantes quanto os tratamentos convencionais no processo de recuperação de jovens pacientes.
Para o futuro, espera-se que ações deste tipo se tornem permanentes em grandes hospitais públicos do Brasil, independentemente da ocorrência de grandes eventos esportivos. O exemplo de Lucas Emanuel ilustra a resiliência infantil e a necessidade de enxergar o paciente além da patologia. Enquanto a Copa do Mundo de 2026 se aproxima, na Paraíba, o torneio já começou de forma antecipada, celebrando não apenas o esporte, mas o direito de cada criança de vivenciar sua infância com dignidade, diversão e esperança. A expectativa é que o álbum preenchido simbolize, para cada uma dessas crianças, a vitória em uma batalha muito mais importante que qualquer final de campeonato: a vitória pela vida.






