Política

Simone Tebet defende removes de taxa sobre importações de até 50 dólares

Em evento em Limeira, ministra do Planejamento afirmou que alíquota serviu para organizar o setor, mas perdeu o sentido frente ao consumo popular.

Redação 360 Notícia
Por
Redação 360 Notícia
16 de maio de 2026 às 03:003 min
Simone Tebet defende removes de taxa sobre importações de até 50 dólares
Foto: Reprodução
Compartilhar

Simone Tebet defende o fim da taxa de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, alegando que o tributo já cumpriu seu papel de reordenar o setor e agora gera injustiça social ao penalizar o consumo popular em comparação com isenções para viagens internacionais.

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, defendeu publicamente a revisão da tributação sobre compras internacionais de até 50 dólares (aproximadamente R$ 280), a chamada "taxa das blusinhas". Durante sua participação no 3º Fórum Mulheres na Política, realizado no município de Limeira, no interior de São Paulo, a ministra argumentou que a alíquota de 20% de Imposto de Importação, estabelecida recentemente, já cumpriu sua função primordial de reordenar o mercado e conter abusos por parte de grandes plataformas de e-commerce estrangeiras. Para Tebet, o momento atual exige uma sensibilidade maior com o consumo das classes populares, indicando que a manutenção do tributo pode ter se tornado obsoleta diante da organização já alcançada pelo setor.

O contexto dessa discussão remonta à implementação do programa Remessa Conforme, do Ministério da Fazenda, que visava regularizar a entrada de mercadorias vindas principalmente de gigantes chinesas. Antes da regulamentação, era comum a prática de fracionamento de remessas para simular transações entre pessoas físicas, o que garantia isenção e gerava uma concorrência desleal com o varejo brasileiro. Tebet destacou que a fase de cobrança foi fundamental para coibir essa evasão fiscal e permitir que o governo tivesse controle sobre o que entrava no território nacional. Segundo a ministra, o processo serviu para "colocar ordem na casa" e estabelecer um patamar de equidade temporário enquanto as regras de fiscalização eram endurecidas.

Além da questão financeira, a ministra enfatizou que o período de vigência da taxa permitiu um avanço significativo na segurança sanitária e técnica dos produtos. Com a exigência de declarações detalhadas, órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Nacional de Meteorologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) puderam atuar de forma mais incisiva. Isso garantiu que produtos sensíveis, como brinquedos e cosméticos, passassem a atender aos critérios de segurança exigidos no Brasil, protegendo o consumidor final de itens potencialmente perigosos ou que não seguiam os padrões de qualidade nacionais.

Um dos pontos centrais da fala de Tebet em Limeira foi a comparação com as isenções concedidas a viajantes que retornam do exterior em voos internacionais. Atualmente, brasileiros que viajam para fora podem trazer até mil dólares em mercadorias sem o pagamento de impostos, sob a justificativa de uso pessoal. A ministra traçou um paralelo entre o tratamento dado a esses bens de alto valor e o consumo de pequenos itens pela população que utiliza as plataformas online. Para ela, manter a tributação sobre encomendas de baixo valor gera um desequilíbrio e uma percepção de injustiça fiscal, uma vez que penaliza justamente a parcela da sociedade que busca acesso a bens mais baratos via importação direta.

Com esse posicionamento, Simone Tebet sinaliza uma possível abertura para debates mais profundos dentro do governo federal sobre a viabilidade de se extinguir ou reduzir drasticamente a alíquota em um futuro próximo. Embora a medida de tributar as compras de até 50 dólares tenha sido fruto de um acordo político complexo no Congresso Nacional para proteger a indústria nacional, a fala da ministra do Planejamento ressalta que o impacto social da cobrança começa a superar os benefícios arrecadatórios. Os próximos passos dependerão de novas análises da Receita Federal e da articulação política entre o Executivo e os representantes do varejo brasileiro, que ainda defendem a manutenção do imposto para evitar perdas de competitividade.

#Simone Tebet#taxa das blusinhas#impostos#importação#varejo internacional