Se não Fosse a Fé
Não teria saudade de ter vivido tantas épocas, de ter visto tantos acontecimentos, de ter estado lá para presenciá-los, vivê-los e falar deles.

Não teria saudade de ter vivido tantas épocas, de ter visto tantos acontecimentos, de ter estado lá para presenciá-los, vivê-los e falar deles.
Se não fosse a sua fé, ainda estaria no fundo do poço. Ainda seria ignorado, tantas vezes deixado de lado.
Se não fosse a sua fé em confiar, ainda diriam: “Deixe esperar mais um pouco, deixe por mais tempo.”
Se não fosse a sua fé em esperar pela verdade sobre o que falaram irrefletidamente longe de você, ela nunca chegaria — mas chegou, e você soube.
Se não fosse a sua fé, não teria coragem de esperar a neblina passar, para então enxergar com clareza as entrelinhas dos gestos, do corpo, quando eles denunciam e respondem todas as suas perguntas, dissipando dúvidas.
Se não fosse a sua fé, não teria paciência para ver nascer a semente que fora lançada nesta terra, crescer nesta mesma terra, sob o peso do mesmo julgamento, da insensatez e da precipitação. Porque, quando se julga aqui, também tem que ouvir o som do martelo batendo. E eu vi, conscientemente, do meu canto, no meu lugar, e suspirei fundo ao contemplar o poder da justiça feita — bem feita.
Se não fosse a fé, não teria humildade para me permitir reinventar-me, remodelar-me e moldar-me tantas vezes. mantendo as matrizes da mesma fragrância humana.
Não teria saudade de ter vivido tantas épocas, de ter visto tantos acontecimentos, de ter estado lá para presenciá-los, vivê-los e falar deles, se não fosse pela fé, por acreditar e esperar.
De ter fé, renovar a fé, vigiar-me sempre, sondar-me sempre.
Se não fosse a fé...
Antonio Marcos de Souza






